O Banco Central decretou ontem a intervenção no Banco Bamerindus SA e nas empresas Fundação Bamerindus de Assistência Social, Bamerindus Participações e Empreendimentos e Bastec Tecnologia e Serviços Ltda, todas controladas pelo senador José Eduardo Andrade Vieira (PTB-PR).
Ainda ontem à tarde o senador foi chamado ao BC e comunicado pela diretoria de que, até o final do dia, seria feita a intervenção. A medida do Banco Central teve o objetivo apenas de realizar a transferência de controle acionário durante um fim-de-semana. Nada deve mudar na vida dos correntistas do banco. Eles poderão movimentar normalmente suas contas. Talões de cheques e cartões magnéticos serão substituídos gradualmente.
O Bamerindus reabrirá as portas na próxima segunda-feira, já incorporando o nome do novo sócio Hong Kong and Shangai Bank Corporation (HSBC), tornando-se HSBC-Bamerindus. Os depósitos dos clientes até R$ 20 mil estão garantidos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e os depósitos acima desse valor serão garantidos pelo novo banco. Segundo o BC, não há limite de saque nem de aplicação.
O anúncio da intervenção no Bamerindus foi feito pelo presidente do BC, Gustavo Loyola, que estava acompanhado por toda a diretoria do BC. Loyola garantiu que nada muda para os clientes e depositantes do Bamerindus. É que, durante o feriado, o interventor do BC transferirá ativos e passivos junto ao público, equivalentes a R$ 10 bilhões, para o comprador do banco, o Hong Kong and Shangai Bank Corporation (HSBC).
Durante o feriado da Semana Santa o cliente do Bamerindus continuará a sacar normalmente dinheiro de sua conta corrente nos caixas eletrônicos.‘‘Não haverá necessidade de troca de senha nem de cartão, nem mesmo de talão de cheque, que permanecerá sendo aceito normalmente pela praça’’, ressaltou o presidente do BC.
De acordo Loyola, o BC optou pela intervenção ao invés de decretar o regime de Administração Especial Temporária (Raet) no banco justamente para permitir a utilização do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). É esse fundo, criado junto com o Programa de Estímulo à Reestruturação do Sistema Financeiro (Proer), e constituído com contribuições do próprio sistema financeiro, que garantirá as aplicações dos clientes do Bamerindus até R$ 20 mil. Acima desse valor é o próprio banco HSBC que garantirá seus clientes.
O presidente do BC também admitiu que o Fundo Garantidor de Crédito não possui em caixa dinheiro suficiente para bancar as 2,6 milhões de contas do Bamerindus. Para que o novo banco HSBC Bamerindus tenha liquidez suficiente para bancar qualquer movimentação de conta dos clientes, o próprio BC adiantará os recursos ao Fundo Garantidor de Crédito. O montante estimado pelo BC é de R$ 2,5 bilhões, que serão pagos pelo Fundo Garantidor de Crédito ao longo do tempo, estimado em cinco anos.
Além desses recursos, fazem parte do Proer para viabilizar o novo banco mais R$ 2,5 bilhões para a Caixa Econômica Federal adquirir a carteira imobiliária do Bamerindus, R$ 300 milhões para o Banco do Brasil assumir ativos no exterior e parte do crédito rural e mais R$ 400 milhões para a equalização de ativos e passivos.
O presidente do BC garantiu que a aquisição de parte do Bamerindus pelo Hong Kong and Shangai Bank foi a melhor opção encontrada para o banco paranaense, que vinha sofrendo perdas econômicas e dificuldades de liquidez. As negociações com o próprio Bamerindus não deram certo, de acordo com Loyola, porque não resolvia o problema de capitalização do banco e de venda do controle acionário. De imediato, o HSBC fará uma capitalização no valor de US$ 1 bilhão.
Os bens do senador Vieira foram postos em indisponibilidade, segundo informou o BC. A sede do novo banco permanecerá em Curitiba e o presidente do HSBC Bamerindus será Michael Geoghegan, que dará entrevista coletiva hoje.

mockup