Hotel administrado pela Varig é alvo de disputas
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sábado, 07 de maio de 2005
Mariana Barbosa<br>Agência Estado 
São Paulo - Há 46 anos sob a administração do Grupo Varig, o Hotel Tropical das Cataratas, único situado dentro do Parque Nacional de Iguaçu, é motivo de disputa acirrada. A concessão da Rede Tropical vence no dia 26 de agosto e a União já anunciou que irá convocar uma nova licitação. Pela primeira vez, porém, a disputa será aberta para redes hoteleiras estrangeiras. Entretanto, empresários da indústria do turismo do município de Foz do Iguaçu iniciaram campanha pela transformação do prédio em centro de estudos e museu e pedem o cancelamento da licitação.
Na semana passada, um grupo liderado pela associação comercial local e pela Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, regional do Paraná, encaminhou ao ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, análise sobre os benefícios da implantação do centro de estudos, que seria custeado com a entrada de turistas ao museu. O estudo foi elaborado pela Universidade Cândido Mendes, do Rio de Janeiro. ''A cidade quer ter o direito de sugerir um novo modelo de utilização do prédio no parque que agregue valor à economia local e ao meio ambiente'', afirma Wanderley Teixeira, presidente da associação comercial de Foz. Ele garante que a Unesco está comprometida com o projeto e teria interesse em intermediar a parceria do centro com 72 universidades estrangeiras.
Teixeira calcula que o museu poderia resultar em receita de US$ 400 mil por ano, se cada visitante pagar US$ 1 de entrada. ''Não somos contra empresa A, B ou C, mas contra a existência de um hotel dentro do parque.''
A licitação está em fase de elaboração pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU), do Ministério do Planejamento. Inicialmente, pensou-se na possibilidade de construir outros hotéis no local, idéia descartada por razões ambientais.
Lucro - Situado em local privilegiado, o Tropical das Cataratas tem faturamento de R$ 28 milhões ao ano e opera com uma taxa de ocupação de 90%, durante o ano inteiro. De uma casa de madeira com 50 apartamentos construída há quase 50 anos, o hotel, em estilo colonial, abriga hoje 200 quartos.
Segundo o diretor-executivo da Rede Tropical, Agostinho Leite Neto, o grupo já investiu R$ 12 milhões no empreendimento. Nas primeiras décadas, conta Neto, o hotel dava prejuízo. ''Só na última década, quando Foz se solidificou como um destino turístico, passamos a ter uma boa rentabilidade'', diz ele. ''Quando dava prejuízo, ninguém tinha interesse na área. Agora que passou a dar lucro, todo mundo quer.''


