Hotéis e passagens pressionam e inflação fecha junho em 0,40%
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terça-feira, 08 de julho de 2014
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
A inflação oficial fechou junho com alta de 0,40%, puxada principalmente pela elevação de tarifas aéreas e de hotéis, causada pela Copa do Mundo. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), desacelerou frente a variação de 0,46% de maio, mas foi a maior para o sexto mês do ano desde 2008, quando foi de 0,74%.
Como o IPCA de junho de 2013 havia sido de 0,26%, a inflação acumulada em 12 meses subiu a 6,52%, acima do teto da meta estipulado pelo Banco Central (BC), de 6,50%. No ano, o índice acumula alta de 3,75%, superior aos 3,15% do primeiro semestre de 2013.
Sete dos nove grupos pesquisados tiveram redução nos resultados entre maio e junho. Houve desaceleração ou queda em Alimentação e Bebidas (0,58% para -0,11%), Habitação (0,61% para 0,55%), Artigos de Residência (1,03% para 0,38%), Vestuário (0,84% para 0,49%), Saúde e Cuidados Pessoais (0,80% para 1,57%), Educação (0,13% para 0,02%) e Comunicação (0,11% para -0,02%).
Somente Despesas Pessoais (0,80% para 1,57%) e Transportes (-0,45% para 0,37%) tiveram alta. As diárias dos hotéis aumentaram 25,33% e levaram o primeiro grupo, enquanto as passagens aéreas ficaram 21,95% mais caras. Na composição do índice de 0,40%, as duas tarifas representaram a metade da variação, ou 0,20 ponto percentual.
O chefe do departamento de economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Renato Pianowski, afirma que o aumento nas tarifas dos dois serviços era esperado, mas que, como a inflação é muito afetada pelas expectativas, houve elevação de preços exagerada. "No fim, como não chegaram todos os turistas que previram, hotéis e companhias aéreas fizeram algumas promoções, mas a maioria já tinha comprado passagens", diz, ao lembrar que os custos com alimentação em cidades-sede também tiveram um salto.
Apesar de não ver motivo para desespero pela inflação ter passado o teto da meta, Pianowski considera que é preciso cautela porque os preços administrados, como energia elétrica e combustíveis, devem subir até o fim do ano. Para o diretor de pesquisa do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Julio Suzuki, porém, há tolerância do governo em combater a alta de preços. "Um novo aperto monetário (alta de juros) é necessário, mas não deve ocorrer por estarmos em período eleitoral."
Suzuki acredita que o IPCA feche o ano em torno do teto do BC, justamente porque é influenciada pela expectativa dos agentes econômicos. "Os índices elevados de inflação são sinal de que temos excesso de demanda sobre nossa capacidade de produção, mas parece que o governo custa a acreditar nisso", diz o diretor do Ipardes. "O governo precisa enxugar custos, reduzir o número de ministérios, estimular a produção e baixar impostos, ou teremos um problema sério no futuro", completa Pianowski.
Por região
O IPCA ficou em 0,37% em Curitiba no mês de junho, ante 0,46% em maio. Apesar de ter a oitava maior alta em 13 das capitais pesquisadas, os preços curitibanos acumulados em 12 meses estão em 7,21%, o terceiro maior resultado do País, atrás de Rio de Janeiro (7,33%) e Porto Alegre (7,23%).



