O comércio de Foz do Iguaçu e Ciudad del Este, no Paraguai, vive uma verdadeira ciranda com as variações das cotações do dólar. Para tentar contornar a crise e atrair consumidores, hotéis e lojas estipulam taxas próprias, quase sempre desprezando as do mercado financeiro.
Anteonteom, por exemplo, o dólar era cotado a R$ 1,98 em Ciudad del Este, mas as grandes lojas negociavam mercadorias importadas numa faixa cambial que variava de R$ 1,55 a R$ 1,90. A Monalisa, maior loja de departamentos, cotou a moeda americana a R$ 1,65 e segundo a gerência, pretende continuar praticando taxas abaixo do mercado para não perder vendas.
‘‘A situação é muito preocupante para os comerciantes e importadores de Ciudad del Este. A saída é diminuir preços e a cotação do dólar para vender mais. Muitos comerciantes estão inflexíveis porque alegam que compram em dólar e acreditam ter prejuízos se abaixarem os preços’’, diz o presidente do Centro de Importadores Y Comerciantes Del Alto Paraná (Cicap), Charif Hammoud.
Em Foz, os hotéis também estão tentando manter a procura, principalmente de turistas estrangeiros, e por isso o dólar é cotado com pequenas diferenças das taxas das casas de câmbio. Anteontem, enquanto o dólar era comprado a R$ 1,85 e vendido a R$ 1,97, o turista que fosse pagar sua hospedagem em dólar no Hotel Bourbon, por exemplo, tinha o dólar cotado a R$ 1,80.
Enquanto isso, o Mabu Foz Hotel & Thermas, fazia o oposto. Estava pagando R$ 1,24 para quem quisesse vender dólares. ‘‘É uma forma de não incentivarmos o câmbio dentro do hotel’’, explicou um funcionário, que não quis ser identificado, do Departamento Financeiro do Mabú, em Curitiba.
A Conexion, loja especializada em vendas de CDs em Foz do Iguaçu, teve uma queda de cerca de 40% no movimento por causa da alta do dólar. A loja, que vendia com exclusividade CDs importados, deixou de adquirir o produto em Miami, nos Estados Unidos, porque a venda no Brasil se tornou impraticável. ‘‘Os mesmos CDs que vendíamos entre R$ 23 e R$ 26 subiriam para R$ 40’’, explicou o gerente da loja, Almir Pinheiro da Silva. (Edna Mendes)

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