Hotéis de Foz são primeiras vítimas
Christian RizziJeito de feriadoPonte da Amizade, na quinta: sacoleiros e turistas desapareceramUma fatia da hotelaria de Foz do Iguaçu é a principal vítima imediata da desvalorização do real no lado brasileiro da Tríplice Fronteira. Os cerca de 100 hotéis e pousadas com classificação até duas estrelas, que se especializaram no atendimento aos sacoleiros, amargavam durante a última semana uma queda de movimento de até 80%. A maioria das excursões de todo o Brasil que viajaria à região cancelou as reservas nos hotéis depois que o governo liberou o câmbio.
O Moura Palace Hotel, localizado no centro da cidade e classificado com uma estrela, tinha ocupados, na sexta-feira, apenas seis de seus 45 quartos. Em uma sexta-feira normal, estaria lotado, afirma Jackson André de Souza, recepcionista do hotel. Segundo ele, a maioria dos sacoleiros que deveriam estar hospedados no estabelecimento cancelou a reserva depois da crise cambial.
Mesmo assim, o presidente do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Foz do Iguaçu, Carlos Tavares, vê a situação com otimismo. Essa crise não vai durar mais do que uma semana, prevê Tavares. Quando o dólar abaixar, a situação vai se acomodar.
Na opinião de Tavares, a crise vai forçar uma mudança no perfil do sacoleiro: acabará o comprador de quinquilharias para dar lugar a um cliente mais sofisticado, que revenderá no Brasil um volume maior de produtos eletrônicos comprados em Ciudad del Este. Grande parte dos eletrônicos que hoje são vendidos pelas lojas no Brasil também vem do exterior e aumentará de preço com a valorização do dólar, raciocina.(V.D.)





