O Hospital Evangélico atende de 25 mil a 30 mil pacientes por mês e é referência em procedimentos de alta complexidade e atendimento de urgência e emergência: sob intervenção desde dezembro de 2014
O Hospital Evangélico atende de 25 mil a 30 mil pacientes por mês e é referência em procedimentos de alta complexidade e atendimento de urgência e emergência: sob intervenção desde dezembro de 2014 | Foto: Theo Marques/13-07-2011



O Hospital Universitário Evangélico de Curitiba e a Faculdade Evangélica foram arrematados pelo Consórcio R+, formado pela única Educacional, de Brasília, e Ambar Saúde, de Belo Horizonte, por R$ 259 milhões, em leilão realizado nesta sexta-feira (17), na 9ª Vara do Trabalho de Curitiba.
O pregão foi comandado pelo leiloeiro Helcio Kronberg e atraiu três grupos investidores. O valor arrecadado será para pagamentos de dívidas trabalhistas, bancárias e tributárias do hospital, que ultrapassam os R$ 230 milhões. O Evangélico está sob intervenção judicial desde 2014.
O consórcio deve pagar 20% do valor de entrada até dia 21 de agosto. O restante poderá ser parcelado em 60 vezes. O pregão começou com o lance mínimo de R$ 205.994.575,67. Três consórcios foram devidamente habilitados para participar do leilão: R+; NRE Participações e GAMP (Grupo de Apoio à Medicina Preventiva); e Instituto Mackenzie e Associação Beneficente Douradense. O valor final teve ágio de 26%.
Ruy Adriano Borges Muniz, médico e sócio majoritário do grupo R+, garantiu a manutenção do quadro de funcionários das duas instituições, corpo clínico do hospital e docentes da faculdade. "Estamos comprando as instituições pelo valor das pessoas que estão lá. Também garantimos a continuidade do nome do hospital e da faculdade, e o compromisso com o atendimento de pacientes do SUS", afirmou Muniz.
O grupo está prevendo investimentos de R$ 100 milhões no período de três anos para modernização das instalações do Evangélico. "Faremos investimos em tecnologias e equipamentos para melhorar o faturamento e o valor agregado. Vamos ampliar os serviços e abrir novos convênios com planos de saúde", disse o médico.
O Evangélico será o 12º hospital pertencente ao grupo, que também conta 184 unidades educacionais de ensinos fundamental, médio e superior. "A primeira mudança será de gestão, por exemplo, as compras serão feitas pela central de compras do grupo, garantido preço e escala", enfatizou Muniz.
Segundo ele, as duas instituições estavam no radar da empresa há quatro anos. "Fizemos quatro visitas técnicas, estudando o negócio. A faculdade está sem dívidas, tem conceito 4 do MEC, programa de mestrado e doutorado. É uma boa unidade do ponto de vista de business. O hospital, do jeito que está, ainda não vira como negócio. Mas vamos restruturar e fazer investimentos", comentou.
Muniz explicou que haverá um período de seis meses de transição com a gestão interventora e depois o grupo assume a administração total das instituições. O gestor financeiro do hospital e diretor-geral faculdade, Marcos Antonio Brenny, considerou positivo o desfecho da crise da unidade de saúde. "Para quem não acreditava que o hospital ficasse de pé por um ano, estamos há quase quatro sob intervenção e operando em uma condição mais equilibrada. O leilão é um resultado positivo", afirmou.
Segundo Brenny, o valor arrematado praticamente cobre as dívidas da instituição. Ainda existe um processo na Vara Civil referente a dívidas tributárias contra a SEB (Sociedade Evangélica Beneficente), mantenedora das instituições. O diretor acredita que ao final do processo poderá ser decretada a insolvência da SEB.

INTERVENÇÃO
O Hospital Evangélico atende de 25 mil a 30 mil pacientes por mês. É referência em procedimentos de alta complexidade (tratamento de queimados, cirurgias bariátricas e plásticas, transplante de órgãos) e atendimento de urgência e emergência.
Em dezembro de 2014, após uma ação civil pública do Ministério do Trabalho, o hospital sofreu intervenção. A ação identificou que havia um histórico de não pagamento de rescisões trabalhistas, Fundo de Garantia, tributos e fornecedores.
Estima-se que entre dívidas e salários atrasados a unidade de saúde acumulou perto de R$ 400 milhões em débitos. A gestão conseguiu, por meio do ProSUS, programa do governo federal de remissão de dívida, reduzir cerca de R$ 200 milhões dos débitos tributários.

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