Hortifrutis também são obrigados a ter rótulo
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quarta-feira, 30 de março de 2005
Vera Barão<br>Reportagem Local 
Manter uma identificação correta e clara nas embalagens de legumes, frutas e verduras beneficia não só o agricultor, que passa a ter maior visibilidade e seu produto valorizado, assim como o consumidor, que terá garantias sobre o que está adquirindo. Está é a função da Instrução Normativa (IN) 009 de novembro de 2002, que trata da regulamentação do acondicionamento, manuseio e comercialização de produtos hortícolas ''in natura''. No Paraná, desde o dia 1º de março os produtos são obrigados a terem a rotulagem.
Para o técnico agropecuário Valcir Inácio Wilhelm, gerente da Divisão Técnica e Econômica da Central de Abastecimento do Paraná (Ceasa/PR), é importante que os agentes da cadeia produtiva percebam as vantagens oriundas de sua identificação, da indicação da qualidade e do conteúdo líquido (peso) do produto através do rótulo. ''Todos os outros produtos trazem especificações, o hortifruti é o único que não tem rotulagem'', informou. Segundo ele, o segmento de hortifruti perde em média 30%, do portão da propriedade até a mesa do consumidor, por falta de embalagem adequada.
''A gente conhece a resistência dos produtores e por isso foi dado um período longo para que eles se habituem com a legislação'', diz Wilhelm. Apesar da legislação não tratar a questão da gôndola, a legislação é específica para quem vende no atacado. ''Vamos aproveitar esta onda para que estas informações cheguem às gôndolas. É importante informar o consumidor a origem do produto que ele está comprando'', observa Wilhelm, acrescentando que produtores, embaladores e distribuidores sairão do anonimato e poderão fixar suas marcas no mercado, revelando o grau de profissionalismo no setor, estabelecendo uma relação de confiança e fidelidade nas transações comerciais.
O superintendente da Associação Paranaense dos Supermercadistas (Apras), Valmor Rovaris, diz que a maior parte dos mercados, principalmente as grandes redes, está se adequando à legislação, mas ainda há aqueles resistentes que não praticam a rotulagem por causa dos custos. ''Alguns ainda estão vendo se usam caixa de papelão ou de plástico. As de plásticos devem ser lavadas diariamente e isso tem um custo de R$ 0,50 cada e as de madeira são utilizadas apenas uma vez'', explica Rovaris. ''Na verdade, todos os hortícolas deveriam sair da Ceasa rotulados, classificados e embalados conforme as novas regras''. A padronização das embalagens, diz, significa também uma redução no desperdício de alimentos.
A dona de casa Vera Aparecida de Andrade disse que sempre observa a procedência dos alimentos. ''Isso já é hábito, nem todos vêm com as especificações, mas acho importante'', comentou. Ao contrário dela, Neusa Bays, também dona de casa, disse que não costuma procurar a procedência. ''Não tem informação nas bancas e, nas caixas, a gente não olha.''


