Vânia Casado
De Curitiba
Pequenos comerciantes e produtores de hortifrutigranjeiros de Curitiba estão se organizando e pretendem pressionar o legislativo para regulamentar a instalação de supermercados de grandes redes internacionais. O argumento, é que os supermercados controlados por multinacionais estão se proliferando por toda a cidade, acabando com o pequeno comércio varejista. O presidente da Associação Paranaense de Supermercados, Ruy Senff, não quis comentar a mobilização, mas condena toda concentração de mercado.
Amanhã, 5ª feira, os comerciantes de hortifrutigranjeiros recebem o apoio de outras categorias de pequenos comerciantes como os feirantes, atacadistas da Ceasa, açougueiros e donos de padaria, que estão vendo seus negócios irem por água a baixo a cada dia que passa. O movimento está sendo organizado pelo ex-feirante Antonio Aluísio Graciano, que manteve barraca na feira por 35 anos e hoje afirma que se sente ‘‘ nocauteado pelos ventos da globalização’’.
Além da organização entre as diversas categorias que se sentem prejudicadas com a atuação das grandes redes de supermercados, Graciano disse que o grupo vai tentar conscientizar o consumidor sobre o perigo da concentração que domina o comércio varejista. ‘‘ Quando as grandes redes dominarem totalmente o mercado vão impor o preço que quiserem’’, disse Graciano. Ele alertou que só o consumidor pode boicotar a alta de preços e o avanço dos grandes grupos. ‘‘ Não precisamos de multinacional para vender banana no Brasil’’, destacou.
Os produtores de hortifrutigranjeiros se queixam que pelo menos uma vez por mês são obrigados a fornecer uma ou duas cargas de produtos, de graça, para sustentar as promoções que as redes de supermercados fazem, quando colocam o produto à venda abaixo do custo. ‘‘ Eles fazem cortesia com o chapéu alheio e com isso quebram o produtor’’, disse Graciano.
Para o presidente da APRAS, esse é um problema que deve ser solucionado diretamente entre fornecedor e supermercado, porque a entidade não se pronuncia sobre essa relação, declarou. Senff se limitou a dizer que toda concentração é perigosa e que os pequenos comerciantes podem tentar mudar a legislação municipal para estabelecer regras para a instalação das lojas.

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