O horário do comércio central de Londrina poderá ser ampliado. Está em discussão entre comerciantes e comerciários uma proposta para implantação de pisos diferenciados entre funcionários de empresas que abrem somente dois sábados à tarde (o que ocorre atualmente); outro, maior, para as que pretendem abrir três sábados e um terceiro, mais alto, para aqueles que funcionarão em todos os sábados à tarde. Os comerciários formam uma das maiores categorias da cidade com cerca de 15 mil pessoas.
  A abertura das lojas aos sábados à tarde é motivo de polêmica na cidade há mais de 30 anos. A ampliação do horário é sempre um dos maiores entraves para a formalização da Convenção Coletiva de Trabalho. A data-base da categoria foi no último dia 1º, quando a convenção perdeu a validade e, por isso, os dois sindicatos estão em negociação. Atualmente, o piso da categoria é de R$ 450 para os comissionados e R$ 410 para quem não recebe comissão e os funcionários de funções administrativas.
  Segundo o advogado João Vicente Capobiango, assessor jurídico do Sindicato do Comércio Varejista (Sincoval), a entidade apenas apresentou a proposta ao presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio, José Lima do Nascimento. ‘‘A receptividade foi boa. Estamos trabalhando essa idéia há dois anos e fomentando essa possibilidade, mas foi a primeira vez que acenamos com essa proposta’’, comentou. Segundo o presidente do sindicato dos trabalhadores, essa sugestão será analisada com calma.
  ‘‘Nas discussões anteriores, os comerciantes queriam abrir todos os sábados à tarde, mas não ofereciam nenhuma vantagem em troca disso. Agora com essa diferença salarial para o aumento da jornada é possível discutir a abertura’’, afirmou Lima. No entanto, essa proposta será levada para assembléia. O mesmo irá ocorrer, na próxima semana, entre os empresários. Nessa ocasião, é que deverão ser definidas as propostas dos valores dos pisos diferenciados. ‘‘Alguns empresários não querem abrir mais do que dois sábados à tarde por questões econômicas’’, disse o advogado do Sincoval.
  O sindicato dos comerciários enviou no mês passado o rol de reivindicações da categoria. Em uma lista de 117 itens, os trabalhadores querem o reajuste de 20% do piso atual. Para Capobiango, essa proposta está ‘‘fora da realidade nacional’’. ‘‘O INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) do período vai ficar na casa dos 5% e nos últimos 24 meses os comerciários já tiveram uma somatória de reajustes superior a 20%. Esse índice não vai dar para atender’’, afirmou. Segundo ele, na assembléia será discutido, inclusive, se ‘‘é viável ou não’’ oferecer algum reajuste.
  O advogado lembrou que as negociações de aumento de salário deverão ser balizadas pelo INPC do período que ainda não foi fechado. Além disso, também deverá ser levado em conta a aprovação do mínimo regional, de R$ 437, uma vez que esse salário ‘‘afeta os parâmetros’’ das negociações.
  Anseios - A Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) comemorou ontem a apresentação da proposta elaborada pelo Sincoval. Em comunicado distribuído à imprensa, a entidade afirma que essa possibilidade ‘‘contempla os anseios e os desejos dos funcionários do comércio e também dos proprietários lojistas’’. ‘‘Isso vai representar ganho real e justo para os funcionários e, ao mesmo tempo, permitir às empresas optarem pelo enquadramento que melhor lhe convier’’, argumentou o presidente da entidade, José Augusto Rapcham.

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