O comércio de calçada na Avenida Saul Elkind, Zona Norte, é um mundo a parte de Londrina. No local, a maioria das lojas abre às 9 horas e fecha às 19 horas, desafiando o Código de Posturas que estabelece o fechamento às 18 horas. O comércio também funciona até as 18 horas todos os sábados, diferentemente do centro, onde as lojas só abrem no primeiro e no segundo sábados do mês.
Por causa disso, o projeto de lei que tramita na Câmara para ampliar o horário das lojas de calçada até as 20 horas, de segunda-feira a sábado, não representa muita mudança na região. ''Não faz diferença para a gente'', afirma a gerente da Bolivar, Madalena Camargo. De acordo com ela, graças a um acordo com o Sindicato dos Empregados no Comércio de Londrina (Sindicolon), a loja pode abrir todos os sábados. ''Esses dias representam 40% das nossas vendas.''
Driele Fernandes, gerente da La Luna Confecções, diz que a loja fica aberta até as 18h30 durante a semana. Nessa última meia hora, ela costuma atender ''clientes cativos'' que trabalham no centro, mas só compram na zona norte. ''O que mais compensa para nós são os sábados à tarde, principalmente no primeiro após o pagamento dos trabalhadores'', afirma.
Já a Belém Tintas fecha às 18 horas e prefere não abrir aos sábados. ''No nosso ramo não compensa'', diz o gerente Rene Salina. Ao contrário dele, Lucimeire Ferreira, que acaba de abrir a loja de confecções e acessórios Pimenta Doce, guarda expectativas para o último dia da semana. ''Vamos ficar até as 18 horas, todos os sábados'', conta. Olívia Sanches é uma das poucas que acompanha os horários do centro. E mesmo nos dois primeiros sábados do mês, costuma fechar às 14 horas. 'Moro em Rolândia e não acho que compensa trabalhar até as 18'', declara.
Pioneira na Saul Elkind, a Movéis Brasília funciona de segunda-feira a sexta-feira, das 9 às 19 horas e todos os sábados até às 18 horas. Segundo o diretor Marcelo Ontivero, a última hora dos dias da semana e as tardes de sábado representam 20% de suas vendas. ''Mudar o horário do comércio da região foi uma demanda que nós percebemos conforme as lojas foram surgindo na Saul Elkind. As pessoas saem do trabalho no centro e chegam a tempo de comprar'', alega.
A rede tentou fazer o mesmo na loja do calçadão, no centro. Mas não deu certo. ''Só nós ficávamos abertos e o pessoal não vinha para o centro. É preciso abrir todas as lojas em conjunto. Se não, não funciona'', considera. Para conseguir o aval do Sindicolon e poder abrir o estabelecimento aos sábados, Ontivero assinou um acordo prevendo horas-extras pagas em 80% acima do valor da hora normal. Mesmo assim, segundo ele, o horário diferenciado é um bom negócio.
A FOLHA apurou que nem todas as lojas têm acordo com o sindicato para funcionar, mas todas se sentem à vontade para abrir em horários diferentes. O Sindicolon afirma que só fiscaliza aquilo que está previsto nos acordos com as empresas, ou seja, o pagamento de horas-extras para aquelas que funcionam aos sábados à tarde.
Sobre o fato de as lojas abrirem até as 19 horas, sendo que o atual Código de Postura prevê fechamento às 18 horas, a entidade alega que essa é uma atribuição da Prefeitura. Na Secretaria de Fazenda, um funcionário admitiu que não existem fiscais suficientes para realizar este trabalho e que a Prefeitura só iria ao local, se houvesse alguma denúncia de descumprimento à lei.

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