A abertura do comércio no sábado à tarde em Londrina confunde os consumidores, que já não sabem mais se as lojas estarão ou não abertas. Há dúvidas até entre os comerciantes. No último final de semana, o Sindicato Patronal do Comércio Varejista publicou nota informando que as lojas estariam funcionando das 9 às 18 horas, mas quem saiu às compras depois do almoço encontrou poucos estabelecimentos abertos.
A proprietária das lojas Bonny, Olga Naka, informou que no sábado anterior não abriu as portas por causa do comunicado feito pela prefeitura, mas ao sair nas ruas supreendeu-se com a maioria das lojas aberta. Sábado, 27, ela preferiu mater a butique fechada.
O proprietário das Casas Ajita, Fábio Ajita, está reticente em relação ao assunto. ‘‘A gente abre em função da concorrência, mas preferíamos ficar com as lojas fechadas.’’ No último sábado, ele manteve apenas uma de suas três lojas funcionando, e mesmo assim só até as 16 horas. Ajita defende uma negociação entre empregados e sindicato patronal, com as partes cedendo: ‘‘O bom seria abrir apenas nos meses em que há datas comemorativas, como maio, junho, agosto, outubro e dezembro. Mas é preciso que haja uma definição logo, porque até os clientes estão perdidos’’.
FiscalizaçãoOs comerciantes de Londrina também estão descontentes com a intensa fiscalização da Prefeitura. Fiscais têm percorrido o centro da cidade informando os comerciantes sobre decisão do Tribunal de Justiça do dia 20 de dezembro. Essa medida suspendeu a permissão dada no mês de março pela 4ª Vara Cívil de Londrina e com isso cassou a permissão de abertura das lojas nas tardes de sábado.
Mas o advogado do Sindicato Patronal do Comércio Varejista (Sincoval), José Valter Oliveira Custódio, diz que a medida ainda não tem valor por não ter sido publicada no Diário Oficial da Justiça. Essa publicação está prevista para o início de fevereiro.
Quando a decisão for publicada no Diário Oficial, volta a valer em Londrina o que é determinado pelo Código de Posturas do Município: o funcionamento do comércio de segunda a sexta-feira das 8 às 18 horas e aos sábados das 9 às 13 horas. A norma não atinge as lojas de departamento que possuem horário diferenciado.
O presidente do Sindicato, Sinézio Scudeler, disse que, caso prevaleça a determinação, aos pequenos lojistas sobra a opção de trabalhar como camelôs. ‘‘Não teremos que pagar tributos, funcionários, nem nos preocuparmos com questões de higiene. Talvez o trabalho seja mais suave’’, ironiza.
O secretário de Fazenda do município, Paulo Bernardo, reconhece que enquanto não for publicada, a decisão não precisa ser cumprida.

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