O horário de verão termina neste sábado (dia 22) com redução de 4,8% sobre os níveis máximos de demanda de energia elétrica no sistema elétrico operado pela Copel, segundo dados divulgados pela Companhia. À meia-noite de sábado, os moradores das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste deverão atrasar seus relógios em uma hora. Durante o horário de verão, que se iniciou no dia 21 de outubro de 2014, foram retirados do sistema elétrico 235 MW (megawatts) de potência ao final do dia, o que equivale, segundo a Copel, a retirar do sistema uma cidade como Maringá, com 391 mil habitantes, no horário de ponta.
O horário de verão foi instituído de forma regular em 1985 e tem o objetivo de aproveitar melhor a luminosidade natural, que é maior nesta época do ano. Pela manhã, o dia já está alto, e quando o trabalhador chega em casa, ainda há sol, fazendo com que use menos energia elétrica. "O consumidor vive uma parcela maior do dia com luz do sol", explica Nelson Cuquel, gerente do Centro de Operação do Sistema Elétrico da Copel.
O impacto sobre a conta do consumidor não passa de 0,5%, afirma o gerente. Este percentual, entretanto, pode representar economia de R$ 200 milhões ao sistema elétrico do País, que é quanto se espera obter com a medida até o fim deste horário de verão. O valor está abaixo do atingido no verão de 2013/2014, quando foram poupados cerca de R$ 400 milhões. "Este valor mais baixo se justifica porque estamos usando muita geração de energia térmica em razão dos níveis baixos dos reservatórios", explica Cuquel.
A geração de energia nas termelétricas é mais elevada, entre outros fatores, devido ao custo de matérias-primas como o gás natural e os derivados de petróleo. O seu uso ininterrupto, há mais de um ano, também leva, segundo Cuquel, aos aumentos "estratosféricos" que estão previstos para a tarifa de energia elétrica. "O horário de verão teve sim uma contribuição positiva, mas que quase desaparece em um momento em que se tem um fator tão importante quanto as altas." O que poderá exercer impacto sobre o consumo, na opinião dele, são racionamentos de energia, que têm uma grande probabilidade de acontecer no Brasil.

Impacto

O principal alvo do horário de verão, segundo a Copel, é a faixa de horário das 18 horas às 21 horas - ou 19 horas às 22 horas durante a vigência da medida. Trata-se do período do dia com maior demanda de energia elétrica. Com o horário de verão, nesta faixa de horário o céu ainda está claro e a iluminação pública deixa de coincidir com as atividades das residências, comércio e indústria.
Na visão de Luis Gameiro, diretor da Trade Energy, comercializadora independente com foco nos consumidores livres de energia elétrica, entretanto, a "ponta de consumo", período em que há maior demanda de energia, está se "deslocando" para o início da tarde, em função da carga de refrigeração, devido ao calor. Por este motivo, a economia de energia, mesmo no horário de verão, acabou se tornando muito pequena. "Antes, o vilão do consumo de energia elétrica era o chuveiro, no final do dia. Hoje são os aparelhos de refrigeração entre 14 horas e 15 horas."

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