Horário comercial divide os lojistas em Londrina
A Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) defende que o horário de funcionamento do comércio na cidade seja determinado pelo próprio comerciante. O presidente da Acil, Valter Orsi, anunciou a posição da entidade ontem em entrevista coletiva. Segundo o presidente da entidade, a posição oficial da Acil foi tomada com base em pesquisa realizada junto a 554 de seus 1.200 associados no período de 30 de abril e 6 de maio. Mas o placar foi apertado: 50,8% dos entrevistados manifestaram-se a favor da liberação, enquanto 48% se disseram contrários.
Valter Orsi afirmou que o Conselho Maior da Acil baseou-se também em outras duas pesquisas realizadas junto a 600 consumidores e 600 lojistas. Em ambas, segundo ele, confirmou-se a tendência favorável à liberação do horário de abertura das lojas, com pequena margem de diferença.
Um documento com o posicionamento da Acil seria enviado ainda ontem ao presidente da Câmara Municipal, Renato Araújo. A Câmara tem um projeto de lei que modifica o horário do comércio e havia solicitado uma posição da Acil sobre a questão, afirmou Orsi.
Ele afirma que a liberação do horário do comércio não implica obrigatoriedade de funcionamento aos domingos e feriados, por exemplo. Quem quiser abrir seu estabelecimento poderá abrir, quem não quiser não abrirá, defende. De acordo com Orsi, no Paraná apenas as leis municipais de Maringá e Campo Mourão liberam o funcionamento do horário comercial, mas, como não há acordo entre os sindicatos patronal e dos empregados, isso não acontece na prática.
Em Londrina, o presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio, José Lima, disse à Folha que a liberação do horário contraria interesses dos oito mil empregados do comércio varejista. Temos experiência com a abertura do comércio nos domingos que antecedem datas promocionais, afirmou. O empregado reclama que ele só trabalha a mais, sem receber por isso.
Na avaliação com Lima, mudar o horário do comércio não vai aumentar as vendas. O que pode acontecer é o consumidor mudar seu horário de compra. Mas não vai comprar mais. Ele atenta ainda para o risco de se abrir uma brecha para que os empregadores eliminem direitos adquiridos pelo trabalhador, como o descanso aos domingos, por exemplo.
O médio e o pequeno comerciante não terão condições de contratar duas equipes, sobrecarregando o seu funcionário, prevê. Hoje o trabalhador já reclama por não ganhar hora extra. Se isto realmente acontecer, não aceitaremos o trabalho aos domingos, é um ultraje. E teremos que regulamentar a questão do horário. O funcionário não pode trabalhar das oito até a meia-noite.
Orsi diz que, se uma lei municipal atender a reivindicação da Acil, liberando o horário de funcionamento do comércio local, a questão trabalhista será discutida com o sindicato dos comerciários para um acordo entre as partes.Arquivo FolhaDivisãoOrsi, presidente da Acil: pesquisas mostram tendência favorável à liberação, mas com margem apertadaÉrika Pelegrino





