Hora de renegociar as dívidas
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quarta-feira, 02 de maio de 2012
Nelson Bortolin <br> <br> Reportagem Local 
A redução de juros promovida pelo Governo Federal nos bancos públicos abre uma oportunidade rara para as pessoas que estão enforcadas em dívidas voltarem a respirar. É hora de procurar em outras instituições condições melhores para quitar os débitos. Aos poucos, as instituições financeiras privadas também vão baixando suas taxas para poder competir com o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. Mas ainda há muita diferença.
No cheque especial, por exemplo, há instituições cobrando até 9% de juros ao mês. Na Caixa Econômica, pelo programa Melhor Crédito, a taxa máxima é de 4,37%, mas pode baixar a 1,35% dependendo do ''relacionamento'' do cliente com o banco. Fazendo as contas, uma pessoa que deve R$ 5 mil no cheque especial, com uma taxa de 6%, paga R$ 300 só de juros ao mês. Vale a pena, por exemplo, buscar um empréstimo em outro banco para quitar essa dívida.
Segundo o gerente regional de Negócios da Caixa, José Carlos Rodrigues, desde que leve sua conta-salário para o banco, é possível oferecer um empréstimo a essa pessoa a uma taxa de 1,84%. Ela precisa ter um automóvel, com até 5 anos de uso, para dar como garantia. Tomando os mesmos R$ 5 mil nesta condição, o cliente paga 12 parcelas de R$ 475 ou 24 parcelas de R$ 263. Ou seja, no período de um ou dois anos, é possível deixar para trás uma dívida que consumia R$ 300 só de juros por mês. ''Um dos pilares do programa Melhor Crédito da Caixa é a reorganização financeira das famílias'', afirma o gerente.
Por meio do Programa ''Bompratodos'', o Banco do Brasil também reduziu suas taxas de juros. No cartão de crédito e no cheque especial, por exemplo, elas estão agora em torno de 3% ao mês. Em balanço divulgado dia 26 de abril, a instituição informou que as linhas de crédito pessoal registraram volume 45% superior à média verificada antes de as taxas caírem.
Alternativas
Uma boa opção é o consumidor utilizar-se de um direito ainda pouco conhecido: a portabilidade de crédito, regulamentada pelo Banco Central em 2006. Ela consiste na transferência de uma dívida (de financiamento ou empréstimo) de um banco para outro que oferece taxas mais baixas. Neste caso, não pode haver cobrança de impostos (veja no quadro como funciona a portabilidade).
O vice-chefe do Departamento de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), João Basílio Pereima, diz que é possível renegociar dívidas sem ter de mudar de banco. ''É um momento crítico para eles (bancos privados). Para segurarem seus clientes, eles podem até rever taxas'', afirma.
Pereima vê um lado perigoso na baixa dos juros. O momento, segundo ele, é de renegociação e vale buscar um empréstimo com juros menores para pagar uma dívida contraída em condições menos favoráveis. Mas não é para o cidadão sair se endividando mais. ''Não é porque tem pão sobrando na padaria que a gente vai comprar tudo e levar para estragar em casa'', declara.




