O que parecia inevitável, de fato se concretizou. Diversos produtores paranaenses que realizaram o seguro rural do milho safrinha começaram a receber na semana passada cartas das companhias seguradoras com os boletos bancários para quitarem a parte do prêmio que o governo federal não subsidiou. Com a não liberação dos recursos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o produtor passa a ter poucas alternativas: ou banca sozinho o prêmio ou deixa de pagar e coloca o investimento na lavoura em risco.
Esta é a primeira vez que isso acontece em dez anos de história do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). O aporte de recursos do governo federal no programa para pagar 60% do prêmio bruto fortalece o seguro rural no País, cabendo ao produtor bancar os 40% restantes, como estipulado pelo Comitê Gestor Interministerial do Seguro Rural (CGSR). A demanda para seguro agrícola do milho safrinha este ano foi estimada em R$ 58,5 milhões para cinco mil apólices em todo o Brasil. O Paraná é responsável por 70% deste volume. O Mapa informou no dia 14 de maio a decisão de não apoiar o seguro neste caso, quando 100% da safra do milho safrinha estava plantada.
Nos últimos dois anos, os valores liberados para a subvenção do seguro no PSR para a cultura foram de R$ 97,5 milhões, em 2013, e de R$ 72,0 milhões, em 2014, e, segundo a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), não há razão para o zeramento do subsídio em 2015. "Esgotamos todas as possibilidades políticas e técnicas a respeito de reverter esse assunto", salienta o coordenador do Departamento Técnico e Econômico (DTE) da Faep, Pedro Loyola.
De acordo com o presidente do Sindicato Rural de Toledo, Nelson Paludo, diversos produtores receberam o boleto para pagamento nesta semana. Ele relata que o pessoal da região está acostumado com o seguro, já que é uma "prática que traz segurança para o produtor e o governo". "Em 2012, tivemos uma seca muito forte na região e as seguradoras arcaram com nosso prejuízo, e ficamos tranquilos. Agora vejo os produtores em dúvida em pagar ou não o seguro. A pergunta que eu faço ao governo é a seguinte: será que há um interesse em que continuemos a plantar o milho safrinha?", indaga ele.
Os boletos têm valores bem significativos, atingindo patamares de R$ 15 mil. A taxa média do prêmio para essa cultura, considerada de alto risco, é de 16,2%, "incompatível com os custos de produção", segundo a Faep. "Deixamos o produtor à vontade para decidir o que fazer", relata o presidente do sindicato. De acordo com ele, o milho que foi plantado em janeiro deve ter produtividade de 120 sacas por hectare na região. "Tivemos, entretanto, algumas áreas isoladas que pegaram um vento forte que prejudicou completamente a cultura. Estes produtores, sem dúvida, terão que acionar o seguro", complementa.

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