Depois da calmaria que assombrou a comercialização de veículos novos nos últimos meses, representantes de concessionárias de Londrina estão bastante animados com a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e o desconto no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) anunciados esta semana pelo Ministro da Fazenda, Guido Mantega. A redução do IPI, que chegou a zerar para carros de até mil cilindradas, e o IOF que passou de 2,5% para 1,5% ao ano, faz com que as lojas projetem um crescimento de pelo menos 20% nas vendas mensais até o dia 31 de agosto, prazo limite da desoneração. A empolgação nas concessionárias também é justificada pela maior flexibilidade dos bancos a partir de agora para a oferta de crédito, já que até então as instituições financeiras estavam bastante rigorosas para liberar novos financiamentos.
De acordo com o gerente comercial da Metronorte, Waldir de Rezende, as vendas estavam 20% abaixo da média nos últimos meses. Para ele, a restrição de crédito por parte dos bancos era um dos principais entraves na hora de fechar negócio. ''Eles estavam exigindo entradas altas e ofereciam pouco prazo para pagar. Como o Governo liberou o compulsório dos bancos, agora vai haver mais crédito no mercado. O cliente quer financiar seu novo veículo em até 60 meses, o que não estava acontecendo'', explicou Rezende.
O diretor comercial da Marajó, Eduardo Meneghetti, concorda com Rezende. Segundo ele, muitas vezes a concessionária fechava negócio, mas o banco barrava a aprovação do financiamento. Agora, com maior crédito no mercado, o diretor espera um crescimento nas vendas similar ao que aconteceu em 2008, ano que pela primeira vez o Governo reduziu o IPI para os automóveis. ''Vamos aguardar um incremento de 28%. Nosso carro de entrada, por exemplo, vai sofrer uma queda de R$ 23.650 para R$ 21.550 com o reajuste. Como o prazo de redução é até agosto, acredito que muitos consumidores vão antecipar a compra'', completou Meneghetti.
Já o gerente comercial de veículos novos da Tropical, Emerson Magro, espera que as vendas pelo menos se mantenham estabilizadas como nos últimos meses. Isso porque a concessionária optou há algum tempo por abaixar os preços para atrair clientes. ''Nesta primeira quinzena do mês, as vendas estavam fracas. Com a redução do IPI e das taxas bancárias, esperamos manter a média de vendas de 200 veículos por mês em nossas duas concessionárias'', avaliou.
Surpresa
Na passagem da reportagem da FOLHA pelas concessionárias da cidade, foi possível notar que a movimentação mais intensa ainda não começou de fato. Muitos consumidores foram pegos de surpresa e não sabiam da redução do IPI e do IOF. O contador Luiz Marcelo de Souza, de Ribeirão do Pinhal, fechou negócio no último sábado e acabou não aproveitando a redução dos tributos. Porém, como a loja na qual ele comprou seu carro já estava trabalhando com preços abaixo da tabela, o valor acabou não ficando muito diferente do novo. ''Fiz um bom negócio com o meu carro usado e fiquei satisfeito com o preço que paguei. Mesmo fechando a negociação no sábado, peguei um preço abaixo da tabela'', relata ele.
Já o aposentado Antonio Ferri foi até a concessionária por causa da queda nos preços, mas ainda não estava satisfeito com os valores de comercialização. ''A taxa de juros está realmente baixa, mas no carro que estou olhando, a redução foi apenas de R$ 500. Ainda acho que é mais propaganda do que desconto de fato'', completou.

Imagem ilustrativa da imagem Hora de acelerar os negócios nas concessionárias
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