Hong Kong já admite que pode entrar em recessão
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segunda-feira, 22 de junho de 1998
Agência Folha 
O Japão já não é a única economia asiática a entrar oficialmente em recessão. O líder da região administrativa especial de Hong Kong, Tung Chee-hwa, afirmou ontem que o PIB (Produto Interno Bruto) do território vai provavelmente recuar pelo segundo trimestre seguido no período que se encerra agora em junho. Segundo a definição dos economistas, ocorre recessão quando o PIB (Produto Interno Bruto, a soma das riquezas produzidas por uma nação) de um determinado país cai por pelo menos dois trimestres seguidos.
O PIB de Hong Kong havia contraído 2% entre janeiro e março de 1998, comparado com o último trimestre de 1997. Segundo estimativas do governo, a economia vai sofrer nova retração no período compreendido entre abril e junho. O anúncio fez com que a Bolsa de Hong Kong sofresse ontem uma queda de 4,5%, a maior do dia. Desde o início da crise asiática, o índice que mede a variação das ações da Bolsa de Hong Kong caiu 45,5%. Chee-hwa anunciou em rede de televisão um pacote para reverter a recessão e brecar a quase constante fuga de capitais da ilha.
Entre outras medidas, ele suspendeu leilão de imóveis que tinham sido construídos por companhias que obtiveram empréstimos mas não puderam pagá-los. Chee-hwa disse que, apesar das turbulências, o câmbio de Hong Kong vai continuar atrelado ao dólar norte-americano.
Queda do ieneDuraram menos de uma semana os efeitos positivos da intervenção conjunta feita na última quarta-feira pelos Estados Unidos e pelo Japão para estabilizar o iene e impedir que a recente recaída da crise asiática se espalhe pelo mundo. A moeda japonesa e praticamente todas as Bolsas asiáticas voltaram a cair ontem.
O iene sofreu uma desvalorização de 3,2% ontem, anulando em um único dia cerca de 40% do fortalecimento da moeda causado pela intervenção da semana passada. A Bolsa de Hong-Kong sofreu a maior queda do dia, de 4,5%. As Bolsas da Tailândia, de Cingapura e da Malásia caíram, respectivamente, 3,5%, 2,2% e 2,1%.


