Honda tem projeto de moto de baixo preço para o Brasil
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terça-feira, 29 de junho de 2004
Agência Estado 
São Paulo - A Moto Honda da Amazônia deve incluir, em projetos futuros, a produção de uma motocicleta popular, que hoje custaria na faixa de R$ 2,8 mil. Destinada aos consumidores de baixa renda, classificados como classe E, o produto seria despojado de itens considerados sofisticados, como painel completo e peças cromadas. Atualmente, a moto mais barata da marca, a C100 Biz, custa R$ 3.890. Segundo revendedores, os modelos Biz e CG 125, que estão entre os mais vendidos da marca, têm acabamento sofisticado, O novo produto estaria nessa faixa de cilindradas, mas ''sem luxo, totalmente básica'', disse um concessionário.
O projeto foi discutido na semana passada entre revendedores da marca em São Paulo e diretores da empresa, responsável por 86% do mercado de motocicletas no País. A Honda não confirma a informação. A moto popular seria inspirada em veículos atualmente vendidos pela montadora em países como Tailândia, China e Índia, que custam entre US$ 800 e US$ 900.
''Em seu plano de expansão no Brasil para os próximos anos, a Honda pretende colocar no mercado produtos com custos ainda mais baixos que os atuais'', afirmou o sócio-diretor da revenda Comstar, Marcelo Bessa. Este ano, a empresa está investindo US$ 30 milhões para ampliar a fábrica de Manaus, que, sozinha, terá capacidade para produzir 1 milhão de motos ao ano.
O mercado de motocicletas apresenta crescimento desde 1999. Naquele ano, foram vendidas 441,5 mil unidades, volume que alcançou 848,3 mil unidades em 2003 e deve chegar a 940 mil neste ano. Com exportações, o setor vai bater a marca de 1 milhão de unidades. Até maio, os negócios somam 421.075 unidades, 6,8% a mais que em igual período do ano passado, segundo dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas (Abraciclo).
Multa - A Agência Regional de Impostos de Tóquio notificou a Honda Motor Co., no Japão, a recolher impostos adicionais de 13 bilhões de ienes (US$ 120,5 milhões) de sua receita obtida com a subsidiária do Brasil. Segundo o órgão do governo, equivalente à Receita Federal brasileira, a empresa teria recolhido taxas sobre o lucro da filial abaixo do valor devido no período de 1997 a 2002.
O diretor-administrativo financeiro da Honda no Brasil, Yuji Horie, disse que a companhia vai contestar a cobrança, que ele considera uma dupla tributação. ''Nós recolhemos o imposto devido aqui no Brasil e não vamos recolhê-lo novamente lá'', afirmou o executivo. Ele lembrou ainda que os dois países assinaram acordo que impede a bitributação que, neste caso, estaria sendo descumprido pelo governo japonês.
''Vamos solicitar uma reunião entre representantes dos dois países para que a Receita Federal convença os japoneses a mudarem seu ponto de vista'', afirmou Horie.


