Brasília - O mapa do emprego divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que ainda prevalece no mercado de trabalho brasileiro preconceito contra os trabalhadores negros e do sexo feminino. De acordo com o estudo ‘‘Demanda e perfil dos trabalhadores formais no Brasil em 2007’’, há um perfil comum aos 15 setores da economia que sofrem com a falta de mão-de-obra qualificada e com experiência. Em 63% dos casos, há preferência por homens e, em 58% das vagas, por brancos. O perfil foi obtido pelas características dos trabalhadores já contratados nesses setores.
  Entre os segmentos que sofrem com a falta de mão-de-obra, a indústria extrativista mineral é a mais machista, já que 91,8% das vagas são para homens. Em igual tendência, a indústria de produtos minerais metálicos (88,6%) e o setor de produtos de transporte (87,8%) são os outros dois que lideram a preferência por trabalhadores do sexo masculino.
  Para as mulheres, há mais vagas no ramo de serviços. No segmento de atividades associativas, 62,4% dos postos desocupados são destinados às trabalhadoras. Na indústria têxtil, de vestuário e calçados, as candidatas são alvo de 61,1% das vagas. No ramo de serviços financeiros, o índice é de 51,9%. Vale observar que em todos os outros 12 ramos com sobra de vagas, a maioria delas é destinada aos homens.
  A pesquisa mostra ainda que o setor financeiro é o que menos emprega negros, já que 74,2% das vagas são destinadas para trabalhadores brancos. Por outro lado, a indústria extrativa mineral destina 50,8% dos postos aos negros. Na média, 57,9% dos postos são para brancos e 42,1% para os negros.
  Curiosamente, o ramo financeiro - que, de acordo com a pesquisa, dá preferência aos trabalhadores brancos - é o que tem a maior média salarial entre todos os setores pesquisados (R$ 1.915,58). No setor extrativista mineral - onde há ligeira preferência pelos trabalhadores negros -, o valor é menor (R$ 1.661,87).

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