Homens assumem cada vez mais as compras para casa
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sexta-feira, 30 de maio de 2003
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
A conquista do mercado de trabalho pelas mulheres e a crescente importância da renda feminina para o orçamento familiar apresentam aos homens uma nova realidade: cada vez mais, eles assumem a direção do carrinho do supermercado na hora de fazer as compras da família.
Uma pesquisa realizada pela empresa Sense Pesquisa e Informação, de São Paulo, revela que atualmente, nas grandes redes varejistas, 60% dos clientes são mulheres e 40% são homens. Nos finais de semana, a proporção é ainda mais equilibrada: há 50% de frequentadores de cada sexo. As informações são de José Augusto Domingues, diretor da empresa de pesquisa.
O consultor comentou que o maior número de homens nos supermercados é uma tendência que ilustra a consolidação da presença da mulher na vida social. ''A mulher passou de gestora do orçamento doméstico a responsável por uma parte significativa da renda'', disse.
Isso significa que ela tem menos tempo para a gestão do lar, o que implica em reposicionamento das tarefas domésticas. Como o homem não sustenta a casa sozinho, compensa com a divisão das obrigações inerentes ao funcionamento da residência. ''Uma delas é ir ao supermercado'', afirmou.
Outro fator que explica a maior presença masculina nas grandes redes varejistas é a mudança na estrutura familiar. A decisão de se casar é tomada mais tarde e, por isso, há muitos homens entre 25 e 30 anos morando sozinhos ou com a família. No primeiro caso, eles assumem a responsabilidade de abastececer a casa. E os que permanecem na residência dos pais também consomem produtos de segmentos específicos.
Gerentes de supermercados de Londrina ouvidos pela Folha confirmam o aumento no número de homens circulando nos corredores das redes varejistas. ''Acredito que metade dos clientes da loja é formada por homens'', contou Ademir Cirino, gerente do Fatão. ''Muita mulher trabalha fora e ainda tem que cuidar dos filhos e da casa. Os maridos acabam assumindo a responsabilidade de fazer a compra'', disse.
Para facilitar a vida dos clientes do sexo masculino, a empresa adotou o hábito de destacar os itens mais baratos de cada segmento. ''O homem compra pelo preço, mas não tem paciência de procurar'', justificou. Para ele, essa nova tendência é positiva para o setor. ''Ganhamos novos clientes, pois a mulher, assim que tiver tempo, acabará vindo à loja''.
No Condor, o gerente João Luiz Tibério também observa aumento no fluxo de clientes do sexo masculino. Ele afirmou que eles são diferentes das mulheres porque chegam com objetivos definidos e passam menos tempo dentro da loja. ''A venda é mais rápida, os homens não escolhem nem pesquisam muito'', observou.
O aposentado José Custódio Filho, 59 anos, assume que gosta de fazer as compras da casa. Como sua esposa trabalha fora, ele se responsabiliza por abastecer a geladeira e a despensa. ''Faço até pesquisa de preço'', orgulha-se.
O agente de Saúde Luis Carlos Carvalho normalmente vai ao mercado com a esposa, mas quando sai do trabalho sempre passa na loja que fica no caminho de casa para conferir as ofertas. ''É um passeio, a gente acaba encontrando parentes e amigos, conversa um pouco e se diverte''.


