Curitiba - Dados da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) mostram que, em 2005, o volume financeiro operado via Home Broker era de 6% por dia. Em 2010, o percentual já é de 22,3% do volume total diário, que corresponde a uma inédita movimentação de R$ 2,9 bilhões/dia. O risco, atributo bastante próprio do investimento na Bolsa, não está inibindo a adesão de novos adeptos.
O Home Broker já inseriu 300 mil brasileiros na Bolsa, desde 1999, ano da instituição do sistema. Tudo reflexo da alta rentabilidade que o mercado acionário brasileiro é capaz de gerar, atraindo o olhar dos investidores mais ousados. Do ponto de vista da Bovespa, o Home Broker é uma janela de oportunidade, visto que, em apenas cinco anos, a meta é aumentar em cinco milhões o número de investidores individuais.
É uma boa surpresa dobrar, quiçá triplicar um investimento numa única tarde. Sem sair de casa, quem sabe deitado na cama, seria ainda melhor. É o que propõe o Home Broker (Casa Corretora), sistema criado pela Bovespa para permitir o acesso de investidores domésticos no pregão eletrônico. Assim como milhares de brasileiros, a agente administrativa da Procuradoria-geral de Curitiba, Aparecida Faria Kusakariba, é um bom exemplo de investidora que aderiu ao sistema. Em busca de um pé de meia, Cida compra e vende ações do seu notebook, onde estiver. O Home Broker é disponível para maiores de idade cadastrados em corretora de valor, com no mínimo R$ 500 para investir. Além de uma boa dose de coragem, também é necessário internet e computador.
O economista e agente autônomo de investimento da Target Invest, Emerson Nazaré de Almeida, faz um alerta sobre esse fenômeno. Para ele, o crescimento da participação do Home Broker no volume da Bovespa é um reflexo tecnológico natural de desenvolvimento de softwares. ''O 'boom' do Home Broker só fará sentido se as instituições financeiras repassarem informações aos clientes sobre o mercado de ações, caso contrário o usuário não terá bases para tomar decisões de quando, quanto e o quê comprar no pregão'', diz. Quem divide a mesma opinião é André Demarco, diretor de operações da Bovespa. ''O investidor deve optar por uma corretora que o assessore sobre o comportamento das ações. Instituições boas oferecem cursos e palestras gratuitas sobre planejamento financeiro e o mercado de ações'', esclarece o diretor.
Cida integra o grupo de investidores que não brinca com dinheiro. Antes de tomar qualquer decisão no Home Broker, ela recorre aos operadores de mesa da corretora que se dispõem em assessorá-la. ''Eles dão muitas dicas e geralmente acertam''.
Antes de aplicar a mesada em ações, o estudante de engenharia, natural de Toledo, Rafael Poletti Dall'Óglio, 19 anos, fez cursos para entender as peculiaridades do mercado acionário. Ele conta que já alcançou 20, até 30% do investimento. ''Procuro não fazer nada sem falar com profissionais, eles analisam qual o momento certo para comprar ou vender determinado papel (ação). Às vezes me ligam de manhã quando estou na aula. Pelo notebook acesso o pregão e vou nas dicas deles'', diz o estudante. Da mesma forma que a Bolsa lhe rendeu bons frutos, Rafael também já perdeu dinheiro com ações. ''Se quiser ganhar rápido, tem que assumir um risco grande. Já quis apostar alto e perdi boa parte do investimento. Tem que ir devagar, com cuidado, se não perde muito'', ressalta.
Conforme o perfil do investidor e o conhecimento no mercado de ações, há chances de haver uma exposição incoerente à especulações e operações perigosas. ''Um advogado, médico ou estudante que opta pelo Home Broker não deve se achar um corretor da Bolsa. Sugiro que continue ganhando dinheiro com a sua profissão porque o mercado acionário exige muito conhecimento para tomar decisões, taxas de juros, análises gráficas e o contexto geral da economia. Se a pessoa assumir um comportamento emocional, sem consultar profissionais que entendem do assunto vão brincar de jogar dinheiro fora'', lembra o agente-autônomo, Emerson de Almeida, da Target Invest.
O curitibano Nemer Hajar, de 46 anos é médico gastroentereologista e cirurgião-geral. Levou a decisão de ganhar dinheiro na Bolsa muito a sério. Tirou diploma em MBA Team Managment pela Fundação Getúlio Vargas e acrescentou ao currículo o título de Consultor Financeiro. Sua aposta começa com a premissa de não perder dinheiro. Conheceu o leque de operações disponíveis na Bovespa e se diz auto-didata, contudo, admite que mesmo assim não é raro consultar quem também entende do assunto. O Home Broker virou febre na sua rotina e entre uma cirurgia e outra dá palestras sobre o mercado de ações. ''Não brinco em nenhum serviço. Planejo o investimento. Não aconselho ninguém a colocar todas as economias arbitrariamente em ações. No máximo 30%.'', aconselha.

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