Curitiba - A criação da figura da holding - empresa controladora - vai se tornar cada vez mais uma tendência nas empresas familiares. É a forma que foi encontrada para separar os proprietários - como pessoas físicas - da gestão das empresas. Isso tudo leva a empresa a uma maior profissionalização. Além de ser um instrumento de planejamento societário, também auxilia na organização patrimonial dos sócios e no processo sucessório.
"A holding nas empresas familiares vai ser cada vez mais comum", disse o membro do conselho consultivo do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef), Luiz Afonso Cerqueira. Ele explicou que isso acaba sendo um dos caminhos para as empresas implantarem a governança corporativa, que tem como um dos princípios dar mais transparência para as companhias.
Segundo Cerqueira, um dos primeiros passos é a criação de um conselho de administração para acomodar a família. No entanto, este conselho não pode ser muito grande e deve ter de três a sete pessoas. Por este motivo, a saída é criar a holding. Ainda conforme ele, várias empresas no Paraná já estão na segunda ou terceira geração, o que faz o número de pessoas aumentar nas companhias. Isso leva, necessariamente, a uma reorganização dentro das empresas e, consequentemente, a pensar no processo sucessório. A holding também é a forma encontrada para acomodar todas as pessoas da família que fazem parte de uma companhia.
Cerqueira disse que a holding pode trazer vantagens fiscais para as empresas familiares e apontar soluções para assuntos como herança e divisão de bens. Ele ressaltou que há diferenças de tributação entre pessoa física e jurídica. Por isso, dependendo da situação, há vantagens de optar pela pessoa jurídica no lugar da física. Tudo depende da situação familiar e da renda da pessoa.
Para o sócio coordenador do núcleo societário, contratos e internacional da Pactum Consultoria Empresarial, Jackson Luis Eble, "os bancos veem com outros olhos a empresa que tem a holding familiar". Segundo ele, esta organização pode até ajudar a reduzir custos e aumentar o lucro das empresas, além de diminuir os conflitos entre os sócios.
De acordo com ele, a holding também evita que os sócios misturem a conta pessoal com a conta da empresa. Eble explica que, através desta organização, é transferida a participação societária que estava na pessoa física para outra empresa - a holding -, que é uma controladora.
"No Paraná, a indústria e o comércio sempre foram muito familiares. Várias empresas quebraram por má gestão, crise, atrito entre sócios ou foram absorvidas por empresas grandes", disse. Segundo ele, as empresas que sobreviveram às mudanças, começaram a se organizar mais.
Ele acredita que a holding pode dar mais dinamismo às operações empresariais. Além disso, o mercado vê estas companhias com uma imagem mais sólida e profissional. De acordo com Eble, a holding também pode ser utilizada para acomodar interesses pessoais dos sócios. "A holding pode ainda conter os bens pessoais dos sócios. Neste caso, cumpre a função de planejamento patrimonial", destacou. É também um instrumento de planejamento societário e sucessório.
"Os sócios estão cada vez mais preocupados com a sucessão para que, com a partida deles, a empresa não se encerre", comentou. Segundo ele, a criação das holdings iniciou nas duas últimas décadas, mas se intensificou em função da abertura de mercado e da maior presença de multinacionais no País. "Isso forçou as empresas familiares a se profissionalizarem e especializarem", destacou.

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