Buenos Aires – O dólar recuou ontem em mais um dia de intervenções do BC da Argentina. A moeda recuou para 1,90 peso. Na sexta, fechou em 2,10 pesos. Uma missão do FMI desembarca amanhã no país para analisar as contas dos governo.
Enquanto isso, a criação de um indicador para reajustar os valores dos depósitos bancários presos pelo curralzinho vai alimentar ainda mais a inflação renascente na Argentina. É o que alertam economistas e analistas consultados pela Agência Folha. Quando o presidente Eduardo Duhalde anunciou, no fim de semana, que os depósitos em dólares seriam pesificados, a principal preocupação dos argentinos passou a ser a perda de valor do dinheiro bloqueado nos bancos.
‘‘Esse índice de indexação que a equipe econômica está criando vai alimentar ainda mais a inflação, que já prometia voltar forte com a desvalorização do peso. Cada vez mais rapidamente, caminhamos para o retorno da hiperinflação e a convulsão social’’, afirma Leonardo Chialva, da Delphos Investment.
Antes de o governo anunciar a criação do índice, as principais consultorias econômicas da Argentina já projetavam uma inflação média de 30% neste ano. O número é assustador se for considerada a projeção com que trabalha o mercado de queda do PIB para este ano, superior a 8%.
Para o chefe de Gabinete de Duhalde, Jorge Capitanich, o fim da conversibilidade teve, por enquanto, um efeito inflacionário relativamente pequeno. Nos 20 primeiros dias do mês, o governo estima que a inflação tenha sido de 1,5% a 1,9%. ‘‘Isso é uma boa notícia, porque a variação do dólar não alterou a estrutura geral dos preços’’, disse Capitanich, sem comentar o reflexo inflacionário da indexação dos depósitos.
A equipe do ministro Jorge Remes Lenicov (Economia) não quer admitir que o índice de reajuste dos depósitos significará a indexação da economia. Mas economistas afirmam que aluguéis e preços do comércio, por exemplo, dificilmente deixarão de acompanhar o indicador.
PanelaçoCerca de três mil moradores de Buenos Aires, reunidos numa assembléia popular, decidiram convocar um ‘‘panelaço’’ geral para a próxima sexta-feira, com o objetivo de pedir a renúncia do atual governo. Os moradores dos bairros da capital federal alegam que o governo de Eduardo Duhalde não é mais do que os anteriores e por isso a população não deve reconhecê-lo.
Desde o dia 20 de dezembro, data do primeiro panelaço que derrubou o governo de Fernando de la Rúa, os moradores de diversos bairros da cidade começaram a reunir-se numa esquina estratégica para deliberar sobre o ‘‘movimento popular pela luta e defesa dos interesses dos argentinos’’.

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