Sucursal de Foz do Iguaçu


Elza AndréaEm construçãoOperários concluem montagem da balsa Valéria, que vai fazer a travessia entre Paraguai e Argentina

A embarcação ‘‘Valéria’’, com 10 metros por 56 e 135 toneladas de peso, marca o reingresso de Foz do Iguaçu na indústria de navegação. Empresas paraguaias interessadas no transporte fluvial com São Paulo, Asunción e Buenos Aires estão encomendando embarcações para este ano e para 98.
Na construção da chata ‘‘Valéria’’ trabalham 20 operários, que ontem prometeram colocá-la no Rio Paraná até o início de fevereiro. Ela viajará durante seis dias, partindo de Foz para a eclusa de Ayolas (a cerca de 400 quilômetros da fronteira) e, em seguida, se dirigirá à Assunção. A travessia será feita entre o Paraguai e a Argentina.
O diretor da empresa proprietária da chata, a Navegação Estrela Azul de Itaipu Ltda, Edson Mandelli Stumpf, diz que a empresa operou durante 10 anos no fornecimento de areia entre Guaíra e Foz, e paralisou as atividades, ressurgindo somente agora. ‘‘Estamos apostando tudo no Mercosul’’, comenta.
O estaleiro da Estrela Azul fica na barranca do Rio Paraná, no Jardim Jupira (área da Ponte da Amizade). Movida por dois motores Scania (500 HP), ‘‘Valéria’’ ingressará na frota da Companhia Paraguaia de Navegação e Transporte (Copanatra).
Para o engenheiro civil Edson Stumpf, o momento econômico exige toda dedicação ao setor de navegação. ‘‘Estão em fase de consolidação as hidrovias Tietê-Paraná e Paraguai-Paraná e, com isso, o transporte de grãos, minérios e automóveis poderá ser feito com economia de custos’’, disse.



‘Valéria’ vai
ser colocada
no Rio Paraná
em fevereiro


Segundo o engenheiro, embarcações do porte de ‘‘Valéria’’ são vendidas atualmente por US$ 250 mil. Um comboio que dê retorno comercial exige quatro embarcações semelhantes.
Um rebocador de 800 HP empurra esse comboio com capacidade de aproximadamente 3 mil toneladas de carga (volume equivalente à 100 carretas) e uma tripulação de apenas oito homens. ‘‘Economiza-se da seguinte forma: o volume de óleo diesel que se gasta para levar uma tonelada sobre caminhão empurra 40 toneladas sobre barcos.’’
Foz está numa das rotas entre São Paulo e Buenos Aires, os dois maiores centros de negócios do Mercosul. Edson Stumpf acredita na possibilidade de gerar empregos, quando os negócios prosperarem. ‘‘Itaipu não tem eclusa, e assim, obrigatoriamente as cargas transportadas pela hidrovia Tietê-Paraná farão o transbordo em Foz. Precisamos de uma ferrovia entre o Rio Paraná e o Lago de Itaipu e, se ela for construída, haverá mão-de-obra para muita gente’’, prevê.

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