Hidrelétrica é prioridade, diz o ministro de energia
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terça-feira, 09 de setembro de 1997
Agência Estado Brasília 
Arquivo FolhaOciosidadeBrito diz que o Brasil ainda utiliza pouco o seu potencial hidrelétricoO Brasil vai continuar dando prioridade à geração de energia por meio de usinas hidrelétricas até pelo menos as duas primeiras décadas do próximo século. Segundo o ministro de Minas e Energia, Raimundo Brito, o País ainda utiliza muito pouco do seu potencial hidrelétrico. Pelos cálculos do ministério, este potencial é de 260 mil megawatts, mas apenas 21% encontra-se em operação ou construção. Algo em torno de 205 gigawatts ainda permanecem inexplorados, disse ontem o ministro.
A hidroeletricidade, no horizonte dos próximos 20 anos, ainda se apresenta como a fonte energética com melhores perspectivas de aproveitamento, disse Brito, que fez um depoimento na Comissão de Infra-estrutura do Senado sobre a matriz energética brasileira. Os investimentos na geração desta energia, segundo o ministro, deverão ser feitos pela iniciativa privada, que já aumenta sua participação no mercado de energia elétrica.
Os dados apresentados por Brito mostram que 18% do mercado já está sendo operado pela iniciativa privada, o que corresponde a 47 mil GW/ano. Em janeiro de 1995 essa participação não superava 2%, lembrou o ministro. Para avaliar o tamanho dessa privatização, Brito lembrou que ela equivale aos mercados do Peru, Equador, Paraguai, Bolívia, Guatemala, Panamá, Honduras, Cuba e El Salvador, juntos.
Apesar do potencial energético hidráulico, Brito alertou que o governo não pretende excluir investimentos em outras fontes de energia. Até porque o potencial hidrelétrico do País é finito e já se visualiza o seu esgotamento no horizonte 2010/2020, avisou. Cerca de 50% do potencial anunciado pelo ministro se encontra na Amazônia, especialmente no Pará.
Com um cenário de crescimento econômico médio do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,8% ao ano, até 2010 prevê-se que a oferta de energia venha a atingir 387 milhões de toneladas equivalentes de petróleo. O gás natural participará com 10% da matriz energética; a hidráulica, com 33%; petróleo, com 36%; carvão mineral, com 6% e biomassa, com 15%. Nos três últimos anos, após o Plano Real, a oferta de energia elétrica tem crescido em média 6,6% ao ano, enquanto o PIB aumentou em média 3,6% ao ano. O consumo de energia residencial, porém, cresceu 11,1% ao ano.


