Hidrelétrica de Mauá tem atraso de 10 meses
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domingo, 13 de março de 2011
Eli Araujo <br> <br> Reportagem local 
Ortigueira - A construção da Usina Hidrelétrica Mauá, no Rio Tibagi, na divisa dos municípios de Ortigueira e Telêmaco Borba (Centro-oriental), deverá ter um atraso de aproximadamente 10 meses em relação ao cronograma original estabelecido com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A informação foi dada à FOLHA pelo superintendente geral do Consórcio Energético Cruzeiro do Sul, Sérgio Luiz Lamy. O atraso poderia chegar a 600 dias, o dobro da projeção atual, se não tivessem sido adotados ajustes para compensar o tempo perdido.
Lamy aponta uma série de motivos para o atraso. O principal deles foi uma liminar da Justiça que adiou o início da obra em nove meses em 2007. Houve outra ação que suspendeu a licença de instalação em 2009, paralisando a obra por mais um mês. Outro motivo foi a demora ''acima do normal'' para a liberação de algumas licenças ambientais, em especial a de resgate de animais na área a ser alagada.
Além disso, houve uma vazão do rio acima da média quando a barragem estava para ser iniciada e o surgimento de alguns problemas geológicos, que tiveram que ser corrigidos. A soma destes fatores daria um total de 600 dias, segundo os cálculos de Lamy.
O superintendente diz que a obra, do ponto de vista de construção, está na fase final. Faltam apenas 2% para o término da barragem, construída com concreto compactado com rolo, onde já foram colocados 670 mil metros cúbicos do material. A estimativa é que a barragem deva estar pronta em um mês. ''A montagem das três unidades geradoras também está em ritmo acelerado'', diz Lamy. A hidrelétrica, quando em plena atividade, terá potência de 361 megawatts, o suficiente para abastecer uma cidade com cerca de 1 milhão de habitantes.
A parte considerada mais crítica pelo superintendente é a limpeza da área a ser alagada, o que implica em desmatamento, na remoção de construções e na desinfecção do local.
De acordo com a nova previsão, o represamento do Rio Tibagi para a formação do reservatótiro deve começar em junho ou julho deste ano e a entrada em operação da primeira unidade geradora deve acontecer no mês de outubro. As outras duas unidades vão entrar em operação nos quatro meses seguintes - até o começo de 2012.
Lamy diz que o atraso nas obras não trará prejuízo ao consórcio, por ser caracterizado pela Aneel como motivo de ''força maior''. ''É evidente que o resultado seria bem melhor se as unidades geradoras estivessem em operação'', justifica.
A Usina Hidrelétrica Mauá faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com investimento de R$ 1,2 bilhão. ''Esse empreendimento é importante para o Brasil e o Paraná porque vai ajudar a sanar a necessidade que o nosso país tem em termos de energia elétrica para sustentar seu crescimento econômico e social'', diz Lamy. Segundo ele, a obra vai causar grande impacto no desenvolvimento regional, principalmente nos municípios de Telêmaco Borba e Ortigueira.


