Hidrelétrica de Itaipu 'socorre' sistema elétrico
Valmir Denardin
De Foz do Iguaçu
Durante dez dias entre 8 e 18 deste mês , a Hidrelétrica de Itaipu vai responder por 27% da produção brasileira de energia elétrica 2% a mais do que o normal. O objetivo da medida é socorrer o sistema de geração das regiões Sul/Sudeste/Centro-Oeste, cujos reservatórios estão baixos devido à falta de chuvas.
Segundo o superintendente de Operações da binacional, Marcos Lefevre, os reservatórios desse sistema, que abastece as principais regiões consumidoras do País, armazenam atualmente, em média, apenas 32% de sua capacidade. Esse volume de água está 10% abaixo da média dos anos anteriores para essa época do ano (42%). Itaipu, no entanto, ainda não foi sensivelmente afetada por essa escassez.
O aumento da produção por Itaipu foi solicitada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) agência reguladora do setor. A hidrelétrica, que hoje gera 10 mil megawatts, vai aumentar essa produção em 12%, atingindo 11,2 mil megawatts. O acréscimo de energia é suficiente para abastecer uma cidade com 3 milhões de habitantes.
A medida é necessária para que o nível dos outros reservatórios do sistema não caia ainda mais. Em Itaipu, a consequência será a redução do volume de água do lago que abastece a hidrelétrica, já que serão necessários mais 1.150 metros cúbicos de água. Nos dez dias da operação, a lâmina dágua será reduzida em 80 centímetros 8 centímetros a cada dia. É a primeira vez que a medida é tomada por razões energéticas. Em outras ocasiões, o nível do reservatório foi baixado para consertos na barragem.
O gerente do Departamento de Planejamento Regional de Itaipu, Elias Absy, disse que a medida não provocará prejuízos ambientais no lago e em suas margens. As únicas consequências, segundo ele, serão o aumento da faixa de areia nas praias artificiais do lago entre 30 e 40 metros, em média e eventuais dificuldades para a navegação. A Marinha será avisada para orientar condutores de barcos que fazem a travessia entre Brasil e Paraguai.
Após o período de dez dias, o ONS vai avaliar a situação para determinar uma eventual prorrogação da operação. Mas estamos otimistas, afirmou Lefevre. O Simepar (Sistema Meteorológico do Paraná) prevê chuvas normais para o trimestre entre novembro e janeiro. Mesmo durante a operação, Itaipu vai continuar operando com 16 turbinas, das 18 que possui.





