O Brasil vai iniciar o ano de 2003 apreensivo, mas com esperança de vislumbrar um novo ciclo de crescimento e, sobretudo, de desenvolvimento. Isso pode e deve significar um aumento da renda nacional em bases sustentáveis. O novo governo sabe dos grandes desafios que irá enfrentar e reconhece, assim como toda a sociedade, que herdará um país diferente daquele do início dos anos 1990. Na década passada, ocorreram muitas transformações como a abertura comercial, a estabilização dos preços, privatizações e acesso à tecnologia externa, entre outras. Mudanças que foram fundamentais para dar maior credibilidade ao país no exterior e, também, aumentar a capacidade competitiva da indústria nacional.

Essas transformações trouxeram restrições à margem de manobra dos governos federal, estaduais e municipais (em especial na área fiscal), mas também possibilitaram uma maior atuação do setor privado, em especial do setor industrial, decorrente de seu esforço para superar a grande concorrência que marcou a última década. Dentre esses esforços, destaca-se o aumento da eficiência produtiva das indústrias brasileiras, que buscaram implementar novos métodos de gestão, incorporaram máquinas e equipamentos mais modernos, aumentaram a qualidade dos seus produtos e diversificaram sua linha de produção, resultando num crescimento sem precedentes da Produtividade dos Fatores de Produção. Isso não ocorreu apenas na indústria, mas também em vários segmentos da agropecuária e do setor de serviços.

Em média, no período 1990-2000, a Produtividade do Trabalho (uma das medidas mais utilizadas para mensurar produtividade) cresceu a taxas de 3,23% ao ano na indústria, com alguns segmentos crescendo a quase dois dígitos ao ano. Entretanto, parte deste aumento da Produtividade do Trabalho ocorreu em função de corte do pessoal ocupado, o que tende a apresentar seus limites e gerar dificuldades para a manutenção dos ganhos de produtividade. O grande desafio que se coloca para a manutenção dos ganhos de produtividade é o aumento do valor adicionado que permita dar sustentabilidade ao crescimento econômico.

E tal desafio será superado apenas com uma política deliberada de cooperação entre o setor público em seus vários níveis, e suas várias agências, ministérios, secretarias, e o setor privado, envolvendo empresas, ONGs, entidades representativas, federações da indústria, comércio, universidades, centros de pesquisa e de produtividade e outros. Para isso, o Brasil deverá estabelecer metas, visando conquistar mercados novos. Para tanto, deve buscar o acesso à tecnologia, a abertura de canais de comercialização, o treinamento de pessoal, a qualidade na gestão de negócios e a consolidação dos Arranjos Produtivos Locais, entre outros. Não é tarefa fácil, mas se queremos um país mais sustentável, competitivo e democrático, teremos de trilhar este caminho.

- César Reinaldo Rissete é economista e consultor do Núcleo de Produtividade Sistêmica do IBQP.

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