São Paulo - A proposta do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, para uma autonomia do Banco Central(BC), não dará maior liberdade ao banco. Pode até significar menos liberdade, à medida em que as cláusulas passarão a ser determinadas no sentido de controle por parte da sociedade. Foi o que explicou o presidente da instituição, Henrique Meirelles, à revista ''Por Sinal'', do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal), que está circulando desde ontem.
Meirelles acha que, com a autonomia, o BC pode, de fato, ter maiores condições de exercer uma política monetária eficaz. ''Além disso, considero importante que se tenha uma autonomia orçamentária baseada em critérios muito bem determinados.''
Segundo Meirelles, a administração pública tem uma evolução normal, e determinados conceitos vão ficando claros com o passar do tempo. ''Por exemplo: o critério de independência do Judiciário não era objeto de consenso algumas décadas atrás. Quer dizer, existia um período da história do Brasil em que o juiz era completamente demissível. Os juízes federais, pelo presidente da República, e os juízes estaduais, pelo governador. O conceito de independência do Judiciário e o conceito relativamente mais novo da independência do Ministério Público também são recentes no Brasil'', lembrou Meirelles.
Ele entende que o conceito de independência de determinados órgãos do setor público ''foi evoluindo com o passar do tempo. Por exemplo, quando se fez a independência do Ministério Público, houve muita preocupação: puxa vida, será um poder paralelo? Será um poder que não está sujeito mais ao controle de ninguém? O presidente da República vai perder o poder? Não. Hoje em dia, está claro que a independência do Ministério Público é uma condição absolutamente necessária, saudável, para que de fato se faça o poder fiscalizador. Da mesma maneira, a independência do Judiciário para efeito de julgamento''.
O presidente do BC disse também que em não sendo aprovada a autonomia do BC, vai prosseguir normalmente o seu trabalho. ''Tenho certeza de que vamos aumentar a qualidade do serviço e fazer uma política monetária de sucesso. Certamente, conseguiremos outras formas de transmitir essa confiança ao mercado, principalmente pelo grande alinhamento do Banco Central com o Ministério da Fazenda, a Presidência da República e os demais ministérios.''

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