'Hedge' vira porto seguro na crise cambial
Uma expressão que ganhou força nos últimos tempos no vocabulário economês usado pela imprensa da área econômica é o chamado hedge found. Pela tradução literal, hedge quer dizer resguardo. Transportado para a economia, a expressão hedge found está relacionada a aplicações procuradas sobretudo por empresas, que visam proteção contra futuras desvalorizações do real frente à moeda americana ou para se resguardar de aplicações de alto risco.
As diversas aplicações com hedge estão disponíveis tanto em banco nacionais quanto em internacionais e podem ser feitas por pessoas físicas e jurídicas. Os valores mínimos exigidos variam de banco para banco e a rentabilidade obedece a variação diária do indexador de proteção.
Como exemplifica o economista Daniel Yab Milanez, especialista em finanças e investimentos da Investidor Global, uma aplicação de R$ 100 mil, por exemplo, pode ser feita a uma taxa de juros fixa hipotética de 9% mais a variação cambial, como no caso de compra de títulos públicos as chamadas NTNs. No vencimento, o cliente pode reaplicar os recursos, aplicá-los em outra modalidade ou resgatá-los. Milanez ressalta que o cliente deve tomar bastante cuidado com a taxa de administração cobrada pela instituição, que em muitos casos pode ser abusiva.
O economista e consultor João Rezende aconselha esse tipo de aplicação somente como um meio de prevenção em relação aos vencimentos de compromissos futuros. Ele desaconselha totalmente as aplicações com hedge como investimento. O economista lembra que desde a crise russa, no segundo semestre de 1998, o real já sofreu uma desvalorização de cerca de 150% na comparação com o dólar. (Luciano Augusto)





