Hashimoto tem que deixar a política de contenção fiscal
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sexta-feira, 24 de abril de 1998
Agência Folha 
O primeiro-ministro japonês, Ryutaro Hashimoto, sofreu ontem pelo menos duas derrotas políticas. Para poder anunciar o pacote econômico ele teve que ceder a pressões e postergar por dois anos sua meta de reduzir para zero, até o ano de 2003, a emissão de títulos para cobrir o déficit do governo. Agora, a redução poderá ser feita até 2005. Em suma: abriu-se a porta para que o governo japonês aumente seu déficit fiscal, hoje de 4,2% do PIB. Hashimoto perdeu também uma disputa com o ministro do Bem-Estar Social, Junichiro Koisumi. Hashimoto queria manter o limite orçamentário que já vigorava para gastos com a área social. Esse limite deixou de existir ontem.
Essas duas derrotas são sinais da fraqueza política do primeiro-ministro. Quando eleito, ele apontou como principal prioridade econômica eliminar o déficit fiscal do governo. Em termos brutos, segundo alguns parâmetros, esse déficit é o maior entre todos os países industrializados. Cortar déficit fiscal significa aumentar impostos e reduzir gastos públicos. Alguns políticos diziam que, caso o governo abandonasse sua política de contenção fiscal, Hashimoto teria de sair do governo por uma questão de coerência. Essa política foi abandonada ontem.


