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. | Foto: Ricardo Chicarelli - Grupo Folha

O lançamento oficial do Hard Rock Hotel Ilha do Sol, na RML (Região Metropolitana de Londrina), foi apenas na última terça-feira (14), mas o número de cotas do sistema de multipropriedades comercializadas já se aproxima de mil das 5 mil à venda, diz o presidente da VCI (Venture Capital Investimentos e Participações), Samuel Sicchierolli. O modelo de frações imobiliárias permite que o cliente adquira uma residência ou uma cota, que podem ser trocadas por créditos em mais de 4 mil empreendimentos do tipo pelo mundo, associados à empresa multifuncional de intercâmbio de férias RCI.

O principal chamariz para a unidade é justamente a localização, em uma ilha na Represa Capivara, próxima ao encontro dos rios Tibagi e Paranapanema, entre os municípios de Primeiro de Maio e Sertaneja. Originalmente, o empreendimento foi idealizado pela construtora Teixeira Holzmann e, posteriormente, assumido pela VCI para fazer parte da rede Hard Rock. Por isso, apesar do lançamento da pedra fundamental na última terça-feira (14), a construção está adiantada e começou no fim de 2018.

A marca é mundialmente conhecida e está presente em 74 países, com mais de 200 cafés, bares, restaurantes, cassinos ou hotéis. Ao todo, a receita da Hard Rock se aproxima de US$ 6 bilhões ao ano e ultrapassa os 122 milhões de clientes.

Sicchierolli afirma que o sistema de multipropriedade funciona de forma híbrida e é pouco usado no Brasil. Ele diz que 87% dos hotéis brasileiros são familiares, sem bandeiras, e apenas 2% carregam marcas internacionais. “Temos o bloco do hotel, que vai proporcionar o serviço cinco estrelas, e vender frações imobiliárias. A pessoa pode comprar uma habitação, que equivale a duas semanas no ano de hospedagem, algo em torno de R$ 80 mil, bem abaixo do que gastaria se tivesse um imóvel de segunda residência.”

Serão 311 suítes, apartamentos e casa, três piscinas, cinema, três restaurantes, 1,5 mil metros quadrados para eventos, lojas, estúdio de gravação para artistas profissionais e para hóspedes, academias, espaço para crianças e adolescentes, bares e programação permanente de shows, entre outros equipamentos.

Sobre a escolha do local, ele afirma que ocorreu após um longo estudo de viabilidade para hotelaria cinco estrelas e visitas a uma série de empreendimentos no País. “Achamos locais que atenderam as necessidades da marca, que tem de ter diferenciais claros e icônicos, e a ilha é um negócio sensacional”, conta Sicchierolli.

Ele cita que a rede mantém um padrão de serviço, mas construções e oferta de atividades diferentes em cada local. “A mesma qualidade que tem em Singapura, Riviera Maya [no México] e Orlando, em atendimento, eventos, shows, música, entretenimento, toda essa experiência vai ser similar aqui [na Ilha do Sol]”, diz, ao lembrar do ar de exclusividade que uma ilha oferece, a beleza da paisagem, o turismo náutico e a pesca esportiva.

Economia regional

A estimativa dos investidores é de que o Hard Rock Hotel gere 350 empregos diretos e mais 2 mil indiretos após o início das atividades, além dos 400 trabalhadores contratados na construção. No entanto, Sicchierolli considera que não há uma previsão financeira definitiva para a geração de renda regional, que começa desde a possibilidade de turismo de eventos e de realização de casamentos.

O hotel deve ficar pronto em dezembro de 2020, mas terá um período de seis meses de “soft open”, quando funcionará enquanto uma equipe dos Estados Unidos treinará os funcionários da unidade. A previsão é estar 100% operacional em junho de 2021.

O investidor considera a pré-venda de quase mil cotas como um bom resultado inicial. “A pessoa tem financiamento direto com nossa companhia, em até 48 vezes e juros subsidiados, que é quase uma correção monetária. A ideia é conciliar uma 'segunda residência' com o serviço de hotelaria cinco estrelas, algo que é extremamente carente no Brasil”, cita o presidente do VCI.

Prefeitos esperam desenvolvimento de infraestrutura regional

A grife Hard Rock associada ao lançamento do hotel na Ilha do Sol, entre Primeiro de Maio e Sertaneja, faz com que políticos da região mirem alto nas expectativas de obras de infraestrutura. Com a presença do governador Ratinho Junior (PSD) ao evento de lançamento da pedra fundamental do empreendimento, o prefeito de Sertaneja, Jamison Donizete da Silva (PSD), aproveitou para pedir a construção de uma marina apropriada para o movimento esperado. “Esse empreendimento vai impactar e muito na região toda. Brinco que, às vezes, Copacabana é maior em importância do que o Rio de Janeiro e que a Ilha do Sol, com o Hard Rock Hotel, pode ficar maior do que o Norte do Paraná todo”, disse.

A prefeita de Primeiro de Maio, Bruna Casanova, engrossou a expectativa em torno da instalação do empreendimento e de novas obras. “Quero agradecer ao grupo de investidores que aposta na nossa região e conte com a nossa cidade para tudo o que pudermos.”

Ratinho respondeu que o Estado lançou recentemente um pacote de reorganização da malha viária, mas que falta organização às demandas. “Estamos fazendo, com parlamentares que representam cada região do Paraná, um pacote de investimento em projetos de infraestrutura, porque o Estado tem escassez de projetos, o que impede que se saia atrás do dinheiro ou, mesmo que já se tenha dinheiro, que não se consiga licitar porque falta um projeto.”

O governador destacou que o Paraná será o único Estado a ter duas unidades da marca Hard Rock, com outra prevista para Foz do Iguaçu. Para ele, é sinal do potencial turístico. “Lançamos ontem [na segunda-feira, 13] a TV Paraná Turismo, que é para propagar as coisas boas, nossas belezas naturais, nossa gastronomia, nossa cultura, para mais de de 28 milhões de parabólicas do Brasil”, disse, ao ressaltar que o setor gera empregos de menor custo de implantação e com maior rapidez do que a indústria, por exemplo.

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