Hacker causa danos a posto em Londrina
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 01 de junho de 2000
Telma Elorza De Londrina 
O Posto Esperança, localizado na Avenida Celso Garcia, no centro de Londrina, vem sendo vítima de um hacker (pirata de computadores) que invadiu o sistema de informática da empresa nos últimos dias através do site na Internet. Arquivos de dados do posto e de outras empresas do grupo foram deletados e alterados, trazendo prejuízos ao grupo.
O advogado Moisés Godoy, representante do grupo, entrou ontem no Fórum de Londrina com uma ação de notificação criminal para que o Onda, provedor de acesso, identifique formalmente a origem e a fonte da invasão.
Segundo o proprietário do grupo, Ariovaldo Ferraz Arruda, 56 anos, há cerca de 15 dias seus funcionários começaram a notar alterações significativas no servidor central das empresas. Suspeitando de algo do gênero, nós dotamos o sistema com uma bateria de softwares de proteção e na última quarta-feira detectamos mais uma tentativa, disse. Segundo ele, na mesma hora o Onda foi acionado e monitorou o número do IP (porta de acesso utilizada pelo usuário para fazer a conexão). De acordo com Arruda, na madrugada daquele dia para ontem outras 21 tentativas de invadir o sistema foram registradas pelos softwares de proteção.
Ariovaldo Arruda ainda disse que não calculou o prejuízo, mas não deve ser pequeno. Imagine ter todo um cadastro de crédito, em que está registrado tudo o que devem para você, apagado. Além dos prejuízos econômicos, tive prejuízos morais. Uma brincadeira dessas desestrutura uma empresa, afirmou. Segundo ele, além de ressarcimento financeiro, vai buscar na justiça a prisão do hacker.
De acordo com Moisés Godoy, a notificação criminal é apenas o primeiro passo na ação legal que está preparando. Depois que o Onda identificar o invasor, vou entrar com uma ação civil de reparação de danos materiais e morais a quem de direito, disse. Segundo o advogado, uma terceira fase vai ser buscar no Código Nacional de Telecomunicações as medidas coercitivas que serão tomadas.
Segundo o diretor técnico do Onda, Tony Philip Selmer Novaes, através da reclamação de Arruda, os técnicos do provedor monitoraram uma tentativa de acesso ao sistema do posto, registrando o número de IP do usuário. Não podemos passar, porém, o nome do usuário sem um pedido formal da Justiça. Se o reclamante conseguir um mandato judicial, nós vamos encaminhar para o nosso setor jurídico que vai analisar o pedido. Aí, eles (setor jurídico) farão o repasse para o juiz, explicou. A medida é, segundo ele, para proteger inocentes. Um hacker realmente bom rouba o acesso de alguém e utiliza este para invadir sistemas, observou.
De acordo com Novaes, as tentativas de invasão em sistemas são comuns em Londrina. Só aqui, no nosso sistema, temos entre 30 e 40 tentativas por dia. Até agora não conseguiram nada porque estamos preparados. Mas a maioria das empresas não tem este preparo e podem ser invadidas tranquilamente, alertou. Segundo ele, existem no mercado vários sistemas de segurança. O problema é que são caros, então o pessoal vai adiando até ser invadido, quando o prejuízo pode ser maior, afirmou. Novaes diz que existem também alguns programas de segurança gratuitos na Internet, mas que poucos sabem disso ou como utilizá-los.
Segundo o diretor técnico, a maioria dos hackers é adolescente que não tem a menor idéia do prejuízo que pode causar e das responsabilidades que recaem sobre estes atos ilegais. Novaes diz que a invasão de sistemas é um crime federal já previsto na legislação. E dá cadeia, alertou.


