As LPPs (Lesões por Pressão) acometem principalmente os doentes que passam muito tempo acamados e estão entre as razões da alta dos gastos com os serviços de saúde. Estudos apontam que o custo para tratamento de um paciente com esse tipo de lesão fica, em média, R$ 145,40 por dia. Para prevenção da LPP, o custo cai para R$ 5,40 diários. O problema implica ainda investimento em horas de trabalho dos funcionários.

Recentemente, o Polo de Saúde de Londrina, em parceria com o Instituto de Inovação da Iscal (Irmandade Santa Casa de Londrina) e o Sebrae, realizou o Hackathon Health, maratona de programação e desenvolvimento de software focada em soluções inovadoras para a saúde. Dos três projetos vencedores, dois propuseram soluções digitais para aprimorar os cuidados com as LPPs.

Os alunos do curso de análise de desenvolvimento de sistemas da Universidade Positivo Marcos Vinícius Santana Maziero, Vinícius Batista de Oliveira e Celso Luís Estersi Júnior e a estudante de enfermagem da Unifil e funcionária da Iscal Daiane Rosa Monteiro criaram o LPP Helper, que consiste em uma solução para a prevenção das lesões por pressão. Um sistema integrado ao sistema do hospital coleta os dados dos pacientes internados e identifica quais estão impossibilitados de se movimentar.

Com essas informações, é gerado um login para cada enfermeiro, que baixa o aplicativo no celular e assim terá acesso a todo o histórico de mudanças de decúbito de cada dia. "De duas em duas horas, o sistema emite um alerta ao enfermeiro para que ele troque o paciente de posição. Ele recebe uma notificação com o nome do paciente e em qual posição deve ser colocado. O enfermeiro vai até o leito do paciente, altera a posição e um sensor acoplado à cama valida o procedimento", explicou Maziero. A proposta do grupo levou o primeiro lugar no hackathon e um prêmio de R$ 5 mil.

Com o LPP Helper, afirmam os criadores do serviço, não seria mais necessário um enfermeiro para lembrar cada profissional sobre a necessidade de alterar a posição dos pacientes na cama. E o sensor só é acionado se a mudança de decúbito realmente for feita. "Assim, eu resolvo um problema que olhando de fora parece simples, mas dentro do hospital a gente vê a complexidade", destacou Maziero.

"O sistema também otimiza o serviço da enfermeira (responsável por avisar os técnicos em enfermagem sobre a necessidade da mudança de decúbito) e de todos os outros profissionais do setor. Pelos cálculos que a gente fez, em um ano, seriam 1.008 horas perdidas caso ela trabalhasse sete dias por semana e isso resulta em quase R$ 12 mil em horas perdidas para o hospital", avaliou Estersi.

Com a premiação no Hackathon Health, o grupo planeja agora viabilizar a venda do serviço para os hospitais. "A gente pensa em lançar um projeto piloto e validar isso no mercado de forma consistente para gerar um case de sucesso e expandir para o mercado porque é uma necessidade real de vários hospitais", disse Maziero.

Quando se discute a assistência dada ao paciente pela equipe de enfermagem de um hospital, um dos indicadores de qualidade é o desenvolvimento de LPP ou não. "Se o paciente não desenvolveu LPP já é um indicativo de que o cuidado tem qualidade. Quando tem LPP, indica falha no processo", disse o enfermeiro Alex Luís Fagundes, que participou do Hackathon Health junto com as estudantes do curso técnico em informática no Senai Eloísa da Silva Lopes e Fernanda Carolina Silva Santos, o estudante de ciência da computação da Unifil Marcelo Francisconi Lubanco Thomé e o empreendedor Bruno Shoiti Ullrich Ronden. Os membros do grupo não se conheciam até o dia do evento, mas conseguiram trabalhar em sintonia. Eles conquistaram o segundo lugar e um cheque de R$ 3 mil.

Além de todos os custos que a LPP representa na rotina hospitalar, as lesões também põem em risco a vida dos pacientes. A evolução do problema traz o risco de amputação de membros, desenvolvimento de infecções e morte. Ciente do que as LPPs representam para um estabelecimento de saúde, o grupo criou o Alertdec com o intuito de inserir uma tecnologia aplicável à realidade dos hospitais para evitar os danos causados por esse tipo de lesão.

"Nossa solução emite alertas no celular ou em uma tela no hospital e os enfermeiros e técnicos em enfermagem vão saber quando os pacientes precisam mudar de posição no leito e para qual lado, com base na Escala de Braden (recurso usado nas UTIs para medir o risco de desenvolvimento das LPPs)", explicou Ronden. O recurso funcionaria integrado ao sistema de gestão hospitalar já em funcionamento na Santa Casa e o profissional não precisar alimentar um novo sistema.

mockup