Habitação recebe R$ 2,2 bi
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segunda-feira, 19 de junho de 2000
Emerson Cervi De Curitiba 
Nos primeiros cinco meses deste ano, a Caixa Econômica Federal (CEF) dobrou o volume de financiamentos habitacionais em relação ao mesmo período de 1999. Foram aplicados R$ 2,2 bilhões contra R$ 980 milhões de janeiro a maio de 1999. Os recursos financiaram 115.519 moradias em 2000 contra 63.891 no mesmo período do ano passado. No Paraná, também houve crescimento no número de contratações.
De janeiro a maio foram assinados 9.526 contratos de financiamento pela Caixa no Estado, totalizando R$ 106,3 milhões em financiamentos. Em 6.793 contratos, totalizando R$ 943 milhões, o crédito é dirigido à compra de imóveis. Nos 2.733 contratos restantes os recursos são para compra de material de construção.
A Caixa está direcionando as linhas de crédito para famílias de baixa renda. São firmadas parcerias com estados, municípios e organizações não-governamentais para redução do custo final da habitação. Segundo o presidente da Caixa, Emilio Carazzai, essas moradias chegam a custar cerca de R$ 3 mil e a prestação fica em torno de R$ 40,00 por mês.
O diretor no Paraná da Associação Nacional de Mutuários (ANM), Luiz Roberto Copetti, contesta as previsões. De acordo com ele, as famílias de baixa renda não conseguem nem erguer as paredes com R$ 3 mil. Esse dinheiro não é suficiente nem mesmo para fazer reformas nas casas, diz.
Em todo o País foram construídas 44 mil unidades no modelo de parceira, com investimentos de R$ 252 milhões. Os recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) são destinados exclusivamente a famílias com renda de até 12 salários mínimos.
A decisão do Conselho Curador do FGTS de conceder descontos aos financiamentos também é questionada pelo representante dos mutuários. A decisão foi tomada no final de maio e os descontos variam de 51% a 2% do total do financiamento, dependendo da renda familiar do mutuário. Até agora nenhum mutuário paranaense disse que teve acesso a esses descontos, cobra Copetti.
Para uma família com renda de R$ 151,00 o financiamento máximo é de R$ 4,2 mil e o desconto de 2,05 mil (51%). Com isso, o valor inicial da mensalidade cai de R$ 46,14 para R$ 28,32. Na outra ponta, uma família com renda de R$ 1,3 mil pode contratar um financiamento de até R$ 31,5 mil. O desconto será de R$ 777,97 (2%). O valor da mensalidade sem o desconto seria de R$ 300,76 e com descontos passa a R$ 293,43.
Segundo o diretor da ANM, enquanto a Caixa não mudar cláusulas contratuais, os descontos não beneficiarão os mutuários. Ao mesmo tempo em que dão descontos, cobram juros compostos no saldo devedor que vinculam aos índices da poupança, enquanto o correto seria a indexação ao INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), explica. Além disso, as mensalidades teriam que ser reajustadas pela equivalência salário, o que não acontece na grande maioria dos casos.


