Agência Estado
De São Paulo
O maior gasto mensal das famílias com renda de até 20 salários mínimos do município de São Paulo é com os itens relacionados à habitação. Até recentemente, as despesas com alimentação eram as campeãs de gastos. A alteração foi detectada na 6ª Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) e vai alterar o cálculo do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) a partir de janeiro de 2000.
A pesquisa, divulgada ontem, foi feita entre maio de 1998 e junho deste ano, investigando os gastos de 2.350 famílias do município de São Paulo, mas apenas 2.200 foram computados. A Fipe e a Secretaria de Finanças de São Paulo custearam as despesas desta 6ª POF, considerada ‘‘a mais precisa’’ por ter sido feita numa conjuntura econômica estável. A última POF, de 1990-91, pesquisou 1.200 domicílios.
Até agora, as despesas com alimentação têm peso de 30,8% na composição do IPC. Cairão para 22,7%. Na década de 50, o peso dos alimentos no orçamento chegou a 50%. Em compensação, os gastos com habitação pularão dos atuais 26,5% para 32,7%. No item habitação, não entram gastos com a compra de imóvel, já que não é um item de consumo e sim, de poupança. Incluem tarifas públicas, aluguel, condomínio, equipamentos eletroeletrônicos e utilidades domésticas.
O terceiro grupo de despesas continua inalterado, com o item transportes. Mas o peso no cálculo do IPC cresceu, passando de 12,9% para 16,1%. As despesas pessoais continuam ocupando o quarto lugar nas despesas das famílias, com peso praticamente inalterado no cálculo da inflação, com 12,5% no momento e 12,3% em janeiro.
Até o momento, as despesas com vestuário eram maiores do que saúde, mas com o crescimento dos gastos com os planos de saúde, houve uma inversão. O peso dos gastos com saúde irá de 4 6% para 7%. Em compensação, os com vestuário, que foram reduzidos com a queda dos preços, cairão de 8,6% para 5,3%. Por fim, os gastos familiares com educação estão inalterados, caindo dos atuais 3,9% para 3,8%, na nova metodologia de cálculo do IPC.
Os novos hábitos dos consumidores fizeram com que as despesas relacionadas com habitação pulassem para o primeiro lugar nos gastos. Apenas os gastos com os serviços de comunicação, que incluem as contas dos telefones fixo e celular, a TV a cabo, o pager, o provedor da Internet, o correio eletrônico e o cartão telefônico, terão peso de 3,7% no IPC. A importância é praticamente a mesma dos gastos com educação (3,8%).
Até hoje, os alimentos semi-elaborados (arroz, feijão, carne e leite, por exemplo) eram os que tinham maior peso nos gastos com alimentação em São Paulo. Esse lugar será, agora, dos alimentos industrializados, de acordo com a 6ª Pesquisa de Orçamentos Familiares. Além de ser um indicador de novos hábitos, o resultado veio em consequência da queda do preço dos produtos industrializados que caíram substancialmente do início do Plano Real para cá.

mockup