São Paulo - O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) acumulou elevação de 1,66% no primeiro trimestre de 2009, conforme informação divulgada ontem pelo coordenador do indicador da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Paulo Picchetti, em entrevista coletiva à imprensa. A taxa superou a observada no mesmo período do ano passado, quando a inflação havia acumulado variação positiva de 1,42%.
No início da manhã de ontem, a FGV anunciou que o IPC-S subiu 0,61% em março. Em janeiro e fevereiro, o índice havia apresentado altas de 0,83% e de 0,21%, respectivamente. Segundo Picchetti, apesar de a taxa de março ter sido influenciada basicamente pela variação de 1,25% do grupo Alimentação, o maior impacto para o IPC-S do trimestre foi dado pelos grupos Habitação e Transportes. ''A Alimentação acumulou alta de 2,23% no período, menor que a de 2,34% do primeiro trimestre de 2008'', disse. De acordo com o coordenador, o grupo Habitação acumulou alta de 2,34% nos primeiros três meses de 2009 ante variação de 2,14% no mesmo período do ano anterior. Para Picchetti, impactos como o do aluguel residencial, que só em março subiu 0,84%, foram importantes para pressionar a Habitação.
Quanto ao grupo Transportes, a variação acumulada positiva do trimestre atingiu 1,54% e ficou bem acima da alta de 0,73% dos primeiros três meses de 2008. ''Neste caso, tivemos reajustes importantes de ônibus no período em algumas capitais, como o do Rio de Janeiro, além das mudanças nas tarifas do metrô em São Paulo'', recordou.
Para o IPC-S acumulado no final de 2009, Picchetti continua com a expectativa de uma inflação bem mais baixa que a do ano passado, quando o índice avançou 6,07%. De acordo com ele, a taxa deverá ficar em torno de 4% num ano em que as maiores preocupações da economia deverão continuar ligadas ao arrefecimento da atividade.
O coordenador afirmou que, justamente por conta dos efeitos da atividade menor, preços de segmentos, como o de Industrializáveis e de Comercializáveis, permanecem bastante comportados. Para ele, as únicas dúvidas estão ligadas aos preços dos Administrados e dos Serviços.
No caso dos Administrados, ele disse que alguns reajustes, como os de ônibus do Rio de Janeiro, ainda sofreram impacto de índices usados como indexadores que tiveram a base de referência elevada. Picchetti avaliou que a tendência é, a partir de agora, os reajustes com base em indicadores acumulados em 12 meses captarem taxas cada vez menores.
No caso dos Serviços, afirmou que o grupo vem se mostrando resistente, principalmente em função do recente reajuste no salário mínimo, para R$ 465, que passou a vigorar em fevereiro. Ele lembrou que muitos profissionais, como as empregadas domésticas e empregados de condomínios, utilizam o salário mínimo como base e este impacto vem sendo importante na inflação. Prova disso é que o item Empregada Doméstica Mensalista contou com variação de 3,41% em março e foi um dos que mais pressionaram o IPC-S.

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