São Paulo - A partir de hoje, o setor imobiliário deve começar a receber uma injeção de recursos mensal de cerca de R$ 200 milhões para financiar a compra da casa própria. O dinheiro extra para o setor vem de um pendência antiga. Na época do Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer), o Banco Central permitiu que os bancos que venderam os créditos que tinham no Fundo de Compensação de Variações Salariais (FCVS) para as instituições que foram liquidadas continuassem computando esses valores como financiamento habitacional.
Uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) de final de julho determinou que as instituições financeiras voltem a direcionar esses recursos para a habitação a partir deste mês. A expectativa é de que, em oito anos, o setor receba R$ 33,7 bilhões. ''Esses recursos vão melhorar a oferta de crédito para a compra de imóveis destinados às classes média e média-baixa'', diz Romeu Chap Chap, presidente do Secovi-SP, o Sindicato da Habitação.
Segundo ele, a recuperação desse segmento de mercado, exatamente aquele que tem sido o mais penalizado pela falta de financiamento, deverá ser lenta e gradual. ''Os consumidores de alta renda não precisam de financiamento e foram os que mais compraram nos dois últimos anos. A classe com menor renda também tem sido atendida com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS)'', observa.
A lacuna do financiamento, portanto, ficou para a classe média. A Caixa Econômica Federal, praticamente a única instituição voltada para esse público, fechou a linha de crédito em agosto de 2001.
A perspectiva, portanto, é de que esses novos recursos voltados para os financiamentos destinados à classe média garantam sustentação ao mercado imobiliário, que anda aquecido nos últimos meses por causa da migração das aplicações financeiras para os ativos reais. ''Tem gente que hoje não quer ter aplicações no banco'', diz Chap Chap.

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