Curitiba - A maior parte do salário do brasileiro é gasta para morar e se alimentar. O maior gasto familiar dos brasileiros é com habitação, que compromete 29,2% do orçamento mensal. O percentual envolve despesas com aluguel ou financiamento do imóvel próprio. Já a alimentação compromete 16,1% das despesas mensais. Os dados fazem parte da Pesquisa de Orçamento das Famílias (POF) 2008/2009 divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O chefe do IBGE no Paraná, Sinval Dias dos Santos, disse que a facilidade de acesso ao crédito imobiliário, os aumentos que o salário mínimo tem sofrido ao longo dos últimos anos e os reajustes salariais acima da inflação para a maior parte das categorias de trabalhadores são alguns dos principais motivos que permitem à população comprometer quase 30% do orçamento com habitação.
O aumento da renda também fez que os gastos com alimentação diminuíssem um pouco entre a pesquisa realizada em 2002/2003 e o último estudo divulgado ontem. Antes, os gastos com alimentos eram de 16,9% do total do orçamento.
Um outro gasto que teve aumento foi com transporte que passou de 14,8% em 2002 para 16,4%. Santos explicou que isso ocorreu devido à melhoria da renda da população e em função das facilidades de parcelamento e obtenção de crédito junto às instituições financeiras.
A pesquisa mostrou também que as despesas com educação no gasto total das famílias recuou 24,2% de 2003 a 2009 e caiu de 3,3% para 2,5%. Sinval Dias acredita que a redução no número de filhos e a procura por escolas públicas além de bolsas de estudo como o Prouni podem ter contribuído para a diminuição de gastos. No entanto, as famílias nas quais a pessoa de referência (que é quem arca com a maior parte dos gastos) tem entre 40 e 49 anos são as que têm as maiores despesas com educação, em média, 3,1% dos gastos.
O levantamento também apontou que o gasto total mensal das famílias cresceu R$ 745 em seis anos. Isso significa que a despesa média do mês da família brasileira saltou de R$ 1.674 em 2003 para R$ 2.419. O valor representou um crescimento nominal - sem considerar a inflação - de 44,5% em relação à pesquisa de 2002/2003. Dias explicou que o aumento da despesa está ligado a fatores como o aumento da renda da população. Com ganhos maiores, o brasileiro também gasta mais.
Famílias nas quais a pessoa de referência tem entre 50 e 59 anos continuam sendo as com despesa corrente mais alta. Os gastos chegam a R$ 2.898,39 por mês, montante 47,2% acima do verificado na POF 2002/2003.
Segundo Santos, na Região Sul, os maiores gastos se concentram nas famílias nas quais a pessoa de referência tem entre 40 e 49 anos e atingem R$ 3.642. Segundo ele, isso pode ser explicado porque as pessoas nesta faixa etária têm uma renda maior, mais experiência e maior tempo de trabalho, muitas vezes, em um único emprego. (Com agências)

Imagem ilustrativa da imagem Habitação consome quase 30% do orçamento familiar
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