A chegada dos importados sistemas integrados de gestão empresarial no Brasil provocou um grande alvoroço no segmento de informática e especialmente entre as softwares houses nacionais. Concorrentes aportaram por aqui, alardeando que abalariam o mercado interno. Alguns apostaram ser capazes de devastar do mapa pequenas software houses que, na expectativa desses, sucumbiriam à concorrência. Tudo por conta da abertura do mercado para produtos estrangeiros e do poder que a automatização tem na briga pela competitividade e qualidade das empresas.
Rumo à modernidade, o efeito da globalização impressiona e estimula a criatividade para a sobrevivência. E em tempos de competitividade, ninguém quer mostrar suas armas. Mas uma coisa é certa: mesmo com a necessidade de ajustes no mercado, as software houses brasileiras pouco modificarão suas estratégias. Ao contrário, elas se tornaram mais fiéis aos seus propósitos em busca da especialização, o grande trunfo de quem conhece a fundo sua área de atuação.
A implantação de pacotes integrados de gestão empresarial, sonho de todo executivo brasileiro, auxilia a empresa a ganhar maior produtividade e menor custo. Mas, o que parece simples merece um olhar mais atento. Existem certos ingredientes desses pacotes importados, cuja proposta é ser absolutamente completos, que simplesmente não se adaptam à nossa realidade. Assim, é comum ver itens dos sistemas estrangeiros, como Importação e Exportação, Ativo Fixo, Recursos Humanos, Contabilidade e Finanças não se enquadrarem à legislação brasileira.
Para se adequar ao mercado, algumas multinacionais estão partindo para a ‘‘tropicalização’’ de seus produtos, com o desenvolvimento local de módulos que venham ao encontro das necessidades do cliente. Esse é um processo que leva muito mais tempo porque temos uma legislação complexa e suscetível a constantes mudanças.
Então, como resolver o problema?
A força da experiência Chegamos no ponto principal da questão. Soluções inteligentes partem de parcerias com as softwares houses nacionais especilizadas. Não há dúvida que somos melhores em certos aspectos (RH, Financeiro, Folha de Pagamentos etc), pois já estamos trabalhando nisso muito antes das multinacionais chegarem por aqui e desenvolvemos experiências e know how considerados, sem nenhuma modéstia, como imbatíveis. Querer montar aqui uma estrutura para desenvolver módulos localizados é andar na contramão da história.
É como se as montadoras de automóveis resolvessem, de um hora para outra, serem as responsáveis por todos os componentes de um carro, fabricando-os, controlando qualidade e mantendo-se de olho na acirrada concorrência do mercado. Ora, para montar um automóvel, as fábricas contam com as parcerias das empresas de autopeças. Não dá para abraçar o mundo e produzir tudo sozinho, desde a maçaneta até o pneu, vidros etc. Assim ocorre com os softwares nacionais isolados, que gerenciam departamentos ou áreas completas. Eles são absolutamente indispensáveis para a composição dos sistemas integrados.
Podemos afirmar com toda a certeza que parcerias são a tendência do momento. E como na informática tudo fica ultrapassado rapidamente, analistas apontam que, a médio-longo prazo, ao contrário do que se prega, as soluções integradas irão desaparecer e o privilégio será o da especialização. Alguns desenvolvedores já investem nas soluções Internet, seguindo o modelo tecnológico da Orientação a Objetos. Por enquanto, isso só existe para softwares básicos, os que orientam as máquinas. Quanto aos aplicativos, estes se tornarão cada vez mais específicos, cabendo às consultorias empresariais o lugar de verdadeiras integradoras de sistemas.
UBIRAJARA TADEU DE CAMARGO e GRENE LAUREANO REIS são sócios-diretores da GLR Informatização em Recursos Humanos, software house dona da marca Populis.

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