Há quem sorri com o dólar alto
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sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Alguns setores da economia começam a ser beneficiados com a alta do dólar. Esse é o caso dos fabricantes nacionais de produtos com semelhantes importados, como brinquedos e vestuário. Com a elevação da moeda norte-americana, os brinquedos chineses, por exemplo, devem ficar 30% mais caros para o consumidor final. Em entrevista à Folha, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Brinquedos (Abrinq), Synésio Batista, disse que o aumento do custo da mão-de-obra de 30% na China também deve encarecer o produto final. Além disso, o governo chinês começou a exigiu um certificado de qualidade para exportação que também elevou os custos em 22%. Ele acredita que esses três fatores devem levar o brinquedo chinês a beirar o dobro do preço para o consumidor final.
''Como o consumidor final não vai pagar, a indústria nacional consegue oferecer produtos em condições iguais ou mais baratas (que o chinês)'', disse. O impacto não deve chegar no Natal porque a produção para o final do ano já estava pronta.
''O dólar é um elemento de viabilização de boas alternativas para brinquedos. Cria uma nova janela de oportunidades para a indústria nacional e a gente não vai esperar o bonde passar'', disse. Outra boa vantagem à indústria nacional são os reflexos da nova lei trabalhista chinesa que entrou em vigor em 1º de março. ''A jornada diária foi limitada a oito horas com, no máximo, duas horas extras. O trabalho aos domingos deve ter 200% de hora extra e nos feriados 300%'', destacou o presidente da Abrinq.
A previsão da indústria de brinquedos é fechar o ano com um faturamento de R$ 2,5 bilhões, volume 6% maior que em 2007. ''Isso é uma performance pífia, mas, pelo menos, não diminuiu de tamanho. No Brasil da crise, está ótimo'', disse. O setor tem 318 indústrias e emprega 35 mil pessoas no País.
O presidente da Associação Brasileira dos Supermercados (Abras), Sussumu Honda, acredita que os setores mais beneficiados com o aumento do dólar serão calçados, vestuário e alimentos. Para ele, os ganhos nestes segmentos virão com vendas no mercado interno e exportação.
Vestuário
Apesar do aumento em algumas matérias-primas importadas, o saldo final deve ser positivo para as indústrias de vestuário do Paraná. O presidente do Sindicato da Indústria do Vestuário de Curitiba e Região Metropolitana, Ardisson Akel, disse que grande parte da matéria-prima usada pelas indústrias brasileiras como tecidos e aviamentos é importada.
Segundo ele, a parte da malharia importada já está vindo com preços de 10% a 20% mais caros. ''O que vai impactar mais é nos tecidos de inverno que começam a ser entregues a partir de novembro e confeccionados em dezembro e janeiro para entregar as peças em fevereiro e março. Ele acredita que o repasse no preço dos tecidos não poderá ser integral porque há o aspecto moda, para poder girar o estoque de mercadorias.
Mas, ele destacou que existe a preocupação com a possibilidade de dumping por parte de países asiáticos. ''Se os grandes compradores dos Estados Unidos, Europa e Japão reduzem as compras dos países asiáticos, vão ter que colocar a mercadoria em outros mercados que pode ser o Brasil, mas com preços muito baixos'', disse.
Akel também ressaltou que o governo brasileiro precisa estar atento à tendência de fazer subfaturamento para pagar menos imposto de importação e IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Assim, as mercadorias entram artificialmente mais baratas.
Ele lembrou que, há poucos dias foi descoberta uma fraude com roupas importadas que vinham do Oriente e eram identificadas como países do Mercosul. As mercadorias que vêm do Mercosul são isentas de tributos ou têm alíquotas diferenciadas.


