Há quem fature com a gripe A
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quarta-feira, 05 de agosto de 2009
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba A gripe A (H1N1) tem provocado efeitos diferentes nos vários setores da economia. De um lado fabricantes de álcool gel, farmácias e videolocadoras estão faturando e de outro teatros, cinemas, shoppings e restaurantes começam a amargar com perdas de movimento e vendas.
A Cocamar Cooperativa Agroindustrial, de Maringá, teve um crescimento de 80% na produção e nas vendas de álcool gel em julho comparado ao primeiro semestre de 2009. A empresa não cita volumes, no entanto a previsão é que a procura pelo produto aumente ainda mais. De acordo com informações da assessoria de imprensa, a cooperativa tem capacidade para dar suporte à expansão da demanda. As vendas do álcool líquido cresceram 15%. Foi necessário a empresa se reestruturar para atender a todos os clientes que estão principalmente nos três Estados do Sul e em São Paulo. A cooperativa tem 6,2 mil cooperados e 46 anos no mercado.
A rede de farmácias Nissei registrou um aumento de 20% a 30% nas vendas de todos os produtos que estão relacionados à gripe como lenços de papel, produtos a base de própolis e medicamentos como antigripais, xaropes e antibióticos. O álcool gel e as máscaras tiveram uma explosão de consumo, disse o presidente da rede, Sérgio Maeoka. Segundo ele, eram vendidas cerca de 1 mil unidades de álcool por mês. Hoje, são 5 mil unidades. As máscaras simplesmente não tinham procura antes pandemia. Na última terça-feira, a rede recebeu um novo estoque de álcool que, segundo ele, acaba sendo suficiente apenas para dois dias.
A alternativa que é oferecida para os clientes é a manipulação do álcool gel que tem um custo mais salgado e sai por R$ 25 a R$ 30 cada recipiente de 500 ml. Segundo ele, ainda havia máscaras no depósito que são comercializadas a R$ 2 o conjunto de cinco unidades. O pico de consumo aconteceu nas duas últimas semanas com o tempo frio e a chuva, disse. Ele acredita que, mesmo com a melhora do clima, as vendas devem continuar aquecidas nos próximos 15 dias.
Na ânsia de encontrar os produtos, o consumidor pode acabar pagando mais caro. A máscara, por exemplo, é vendida em Curitiba por preços como R$ 0,30 cada, R$ 1 a unidade ou R$ 10 uma caixa com 50 unidades.
Outro setor que está com movimento maior por conta da gripe são as videolocadoras. Na Vídeo Um, em Curitiba, o volume de locações teve um crescimento de 20% nas últimas duas semanas, especialmente de DVDs infantis e nos finais de semana. O gerente da locadora, Rômulo Lima, acredita que as pessoas deixaram de ir tanto ao cinema. Outro fator que motivou o aumento do movimento foi a extensão das férias escolares nas redes pública e particular.
Por outro lado, os cinemas já começam a ter os efeitos da redução de público. Nas cinco salas do grupo Unibanco Artplex, localizadas no Shopping Crystal, na Capital, o fluxo de pessoas caiu 30%, de acordo com informações da gerente de marketing do shopping Lylian Vargas.
Nas salas de rede UCI que está presente nos Shoppings Estação e Palladium, em Curitiba, o movimento continua normal. A previsão é que se a doença entrar no estágio 3 (fechamento de shoppings e supermercados) pode ocorrer uma redução brusca de público.


