Há pressão pela venda, diz DFI
''Existem os chamados assinadores de receitas no comércios em todo Paraná'', admite Adriano Riesemberg, responsável pela Divisão de Fiscalização dos Insumos (DFI) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab). A divisão em que atua, segundo ele, está carecendo de equipamentos e software para exercer um maior controle na venda de produtos químicos para controle de pragas. ''A pressão do comércio é para vender agrotóxico'', afirma. Segundo ele, grande parcela do faturamento de cooperativas está na venda de insumos, principalmente agrotóxicos, que se tornou um negócio muito lucrativo.
A Seab está elaborando uma ferramenta que considera eficaz na fiscalização: um programa que deverá se chamar®MDBO¯®MDNM¯ Siagro, que vai interligar quase 1,6 mil pontos de vendas de agrotóxicos no Estado. Através desta interligação, a Seab pretende apurar, em tempo real, quanto de agrotóxico estaria sendo vendido em cada uma das revendas.
Hoje os comerciantes de agroquímicos são obrigados a mandar uma cópia de cada nota fiscal de receita vendida para os núcleos de fiscalização da DFI mais próximo. ''De posse da nota, o engenheiro agrônomo da DFI observa as notas suspeitas e sai a campo para apurar a veracidade das informações.
Mas não há controle de agrotóxicos aplicados, diante da venda indiscriminada de receitas em todo Estado do Paraná.
''Existem cerca de 370 mil propriedades no Paraná para serem fiscalizadas'', informa Luiz Anselmo Tourinho, assessor ambiental da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep). Tourinho, que também foi conselheiro entre 2004 e 2006 do Crea-Pr, confirma as afirmações da DFI-Seab. ''O receituário é conseguido sem que o profissional - engenheiro agrônomo - vá à propriedade rural. Isto é completamente ilegal'', conclui o representante da Faep. Segundo ele, isto representa um estrago muito sério ao meio ambiente. ''O mau profissional necessita ser processado e condenado'', diz. (E.P.F.)





