Há pouco a fazer para conter o dólar
Brasília - Quando o dólar escorregou para baixo de R$ 1,80, o nível de atenção do Ministério da Fazenda com a questão cambial aumentou. O tema, sempre no radar do ministro Guido Mantega e sua equipe, tem sido objeto de estudos da área técnica, que avalia a eficácia de medidas para tentar conter a trajetória de queda da moeda americana, embora não se deva esperar por uma mudança significativa. O mais provável é que o governo, mais uma vez, relacione medidas de desoneração para desanuviar as dificuldades enfrentadas por setores específicos.
Para economistas há pouco a fazer no âmbito da Fazenda para conter a queda do dólar. A economista-chefe do banco ABN Amro, Zeina Latif, afirma que qualquer iniciativa poderia ter no máximo um efeito de curto prazo. Qualquer mexida seria marginal, afirmou, ressaltando que os fundamentos determinam uma trajetória de valorização do real no médio e longo prazos. O movimento de queda do dólar é global, por causa da expectativa de menor crescimento dos EUA e da queda nos juros daquele país.
O professor da PUC-SP, Antônio Corrêa de Lacerda, avalia que correção da trajetória do dólar passa pela redução dos juros, que poderia vir com um reforço na política fiscal.
Há também entre os economistas aqueles que consideram o câmbio um problema estrutural da política econômica, embora com visões completamente diferentes. O professor da UFRJ Reinaldo Gonçalves disse que a reversão da trajetória do câmbio passa por eliminar o quadrúpede da política econômica: câmbio flutuante, meta de inflação, megassuperávit primário e liberalização cambial. Ele avalia que esses quatro pilares da política econômica induzem à valorização cambial e, por isso, o País teria de caminhar para um sistema de câmbio administrado com uma taxa mais realista, que estimulasse a competitividade. (A.E.)





