Há muito espaço para menores aprendizes no mercado
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 13 de julho de 2016
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 

"Temos em torno de 2 mil jovens aprendizes em Londrina colocados no mercado de trabalho e potencial para avançar para pelo menos mais mil aprendizes." A afirmação é de Marcelo Adriano da Silva, procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT) em Londrina. Segundo ele, muitas empresas na cidade ainda têm dificuldades de cumprir a chamada "Lei da Aprendizagem", que determina que companhias de médio e grande porte precisam ter número de jovens aprendizes (entre 14 e 24 anos) equivalente a 5% a 15% de seu quadro de funcionários.
Ontem, foi realizado no Sest/Senat, em Londrina, o 2º Simpósio de Aprendizagem de Londrina e Região com o tema "Aprendizagem criando oportunidades". O objetivo, segundo Silva, era conscientizar empresas para o cumprimento da legislação, sanar dúvidas que surgem durante o processo, bem como oportunizar que entidades que ministram cursos para os jovens aprendizes apresentem seus trabalhos.
Para o procurador, muitas empresas têm dificuldades no cumprimento da lei devido aos seus postos de trabalho, que são impróprios para menores de 18 anos. Um exemplo são aquelas do setor de transporte ou que possuem atividades com insalubridade e periculosidade. "Agora estão surgindo iniciativas legislativas que permitem a contratação para essas vagas que não são próprias para menores de 18 anos. As empresas podem fazer o cumprimento da aprendizagem diretamente em uma instituição até com atividades que não têm relação com a empresa, como atividades esportivas, de arte ou cultura."
O Centro Universitário Filadélfia (UniFil) deve ser a primeira instituição a oferecer essa alternativa com o programa Aprendiz Atleta, que permite as empresas cumprirem sua cota de jovens aprendizes em um ambiente simulado dentro da própria instituição de ensino. Nesses casos, os alunos serão capacitados na área de esportes. De acordo com Alexsandra Lucinger, gerente de operações financeiras da UniFil, a instituição já possui cursos para formação de atletas cadastrados no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e os primeiros atletas de Jiu-Jitsu -, devem ter suas carteiras assinadas como jovens aprendizes ainda nas próximas semanas. As inscrições estão abertas para empresas interessadas encaminharem jovens aprendizes para o processo de seleção do programa.
"Quanto mais oportunidades se derem para adolescentes e jovens, melhor, porque muitos ficam sem alternativa para ingressar no mercado de trabalho, de ter o direto fundamental à formação profissional, e acabam enveredando pelo caminho da marginalidade, e até do crime", ressalta Silva.
Filantrópicas
As instituições filantrópicas também perseguem esta possibilidade para que as empresas tenham melhores condições de cumprirem a Lei da Aprendizagem. Segundo Magali Batista de Almeida, coordenadora do Núcleo Espírita Irmã Scheilla e presidente do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente, muitas companhias ainda não estão preparadas para receber jovens aprendizes. "Tem empresa que trabalha dentro dela própria a parte social com os jovens. Mas tem empresa que não está preparada, acha que o jovem já tem que estar preparado. Mas ele vai lá para aprender."
"A maior dificuldade nossa é fazer com que as empresas entendam a necessidade de cumprimento da lei e também o papel social da empresa no sentido de criar novos horizontes para essa juventude que está tão desassistida", comenta ainda o diretor da Fachisa - Apoio e Qualificação Profissional, de Apucarana , Luiz Vilas Boas. Ele salienta que muitos dos jovens atendidos pela entidade entendem que a Lei da Aprendizagem é a única maneira de adentrarem no mercado de trabalho. "Hoje a dificuldade é muito grande nessa questão do primeiro emprego. Através da lei do jovem aprendiz, as empresas abrem portas para dar treinamento diferenciado para esses meninos. Aqueles que se sobressaem são efetivados dentro dela própria. Há o entendimento de que o jovem aprendiz deixa de ser um custo e passa a ser um investimento para que, no final do contrato, se tenha jovens que entendem da empresa e passam a ser uma pessoa de confiança."


