Há mágica no Paraná
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 07 de dezembro de 2005
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
''O Paraná fez mágica? É melhor do que os outros Estados? A resposta é líquida e certa para os virologistas veterinários: a aftosa é uma doença aguda e uma das enfermidades com maior índice de transmissibilidade''. A declaração é do veterinário Amauri Alfieri, doutor em Virologia e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Para ele, se houvesse aftosa no Paraná, a doença não estaria restrita a alguns animais em uma única fazenda.
Como exemplo, ele cita o caso do Mato Grosso do Sul (MS). No Estado foi descoberto um foco de aftosa na Fazenda Vezzozo, no município de Eldorado. Rapidamente a doença se espalhou: hoje são 28 focos confirmados em quatros municípios. O diagnóstico do MS saiu em um curto espaço de tempo. No Paraná, essa ''novela'' se arrasta há quase dois meses.
Isso significa, na avaliação de Alfieri, que é praticamente impossível a doença ainda não ter se espalhado pelo Estado, se realmente o vírus estivesse presente aqui. Mesmo com a campanha de vacinação contra aftosa, estima-se que cerca de 20% do rebanho estadual tenha ficado sem tomar vacinas. Esses bovinos estão espalhados em 15 fazendas e nos seus respectivos raios de 10 quilômetros - como determinou o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Dentro desta população que ficou sem imunização há três grupos de animais. O primeiro é formado pelos bezerros que nasceram depois de maio e, portanto, depois da conclusão da primeira campanha anual de vacinação. Esses bovinos estão sem imunidade, uma vez que já venceu o prazo de imunidade passiva (quando os anticorpos da mãe passam para o filhote). Segundo Alfieri, todos esses bezerros já estariam doentes, pelo menos, na fazenda onde foi apontado o foco.
O segundo grupo é formado pelos animais que nasceram entre novembro do ano passado e maio. Esses receberam apenas uma dose de vacina que, nesse período, já está sem validade. O outro seria dos animais mais velhos que já receberam várias doses e, portanto, estariam mais imunes à doença. ''Ninguém segura a aftosa. Acho que o Paraná deve ter a melhor defesa animal do planeta para segurar essa doença ainda sem vacinar o rebanho. É espantoso'', afirma.
Segundo ele, tudo começou com uma sucessão de erros e, inclusive, o Paraná está servindo de chacota para os mercados externos e internos. ''Em dois meses não há nenhum diagnóstico. A OIE (Organização Mundial de Sanidade Animal) está pressionando, ela quer saber se há ou não aftosa no Paraná e se o diagnóstico for negativo, o Brasil tem que explicar que doença era. Só que ninguém (técnicos da Seab e do Mapa) foi atrás de saber também'', declarou
.
No entanto, Alfieri acredita que há fatos estranhos ocorrendo entre a Seab e o Mapa. ''Primeiro: por que o Paraná não toma uma atitude? Estão todos quietos? Nada está sendo tratado às claras, ninguém divulga uma informação, não se sabe o que está ocorrendo''.


