Há excesso de embalagens, diz ambientalista
As sacolas plásticas usadas nos supermercados e reutilizadas como embalagens para lixo doméstico se tornaram as vilãs da poluição do meio ambiente. Tanto que os supermercados do Paraná foram obrigados a adotar as sacolas oxibiodegradáveis, que demoram apenas um ano e meio para se decompor na natureza, enquanto a sacola tradicional leva cerca de 100 anos.
Mas o que quase não se leva em conta é que os plásticos usados para embalar os alimentos industrializados poluem da mesma forma que as sacolas e nem sempre podem ser reciclados. O problema é que a população sabe distinguir o lixo orgânico do não orgânico, mas tem dificuldade em distinguir o que é reciclável do que não é reciclável.
Na opinião do professor Rafael dos Santos Ferreira há muita falta de informação sobre o assunto, mas principalmente falta de conscientização. Ele mora em um edifício e observa que as pessoas, de modo geral, não têm o hábito de separar o lixo. ''Existem placas indicando que o lixinho na beira da pia é para colocar restos de alimentos, mas os moradores colocam as embalagens e tudo no mesmo lixo. Eu mesmo confesso que, às vezes, cometo este erro''. Para ele, deveria haver uma campanha educativa permanente para orientar melhor os consumidores. ''A questão não é a falta de respeito com o meio ambiente e sim a falta de campanhas que orientem o povo a respeito disso''.
A farmacêutica e bioquímica Cristiane Scandiuzi Gusson diz que separa o lixo orgânico de outros tipos de lixo em sua casa, mas tem uma certa dificuldade em classificar o que é reciclável e o que não é reciclável. ''Não é que tudo que não é orgânico seja reciclável, mas é quase isso''. Ela diz que coloca as embalagens de vários alimentos, tipo lazanhas e bolachas industrilizadas, no lixo reciclável. ''Acho que nem todas as pessoas têm as informações necessárias para fazer a reciclagem adequadamente e acredito que ainda há muita dúvida sobre o que é reciclável ou não''.
A bancária Ana Lúcia Baggio usa uma classificação não muito comum para separar as embalagens. ''O lixo seco, que é o papel e o plástico que envolve algum produto, coloco em um saco plástico azul; e as embalagens onde vem as carnes, pizzas e condimentos, eu coloco em um saco preto''. Ela diz que é trabalhoso fazer a separação desta forma, mas acha que é bem melhor para a pessoa que faz a coleta do lixo reciclável e vai manipular depois este material. Ana Lúcia diz que está preocupada com as questões relacionadas com o meio ambiente e acredita que as embalagens plásticas dos alimentos ''poluem tanto quanto as sacolas plásticas dos supermercados''.





