Há 50 anos, Hosken criava a Telefônica
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quinta-feira, 09 de outubro de 2014
Widson Schwartz<br>Especial para a FOLHA 
Começou a operar em 1968, mas o marco inicial do Serviço de Comunicações Telefônicas de Londrina (Sercomtel) é a Lei 934, de 9 de outubro de 1964, sancionada pelo prefeito José Hosken de Novaes, que se considerava apto para vencer desafios. E a telefonia talvez fosse o maior. "Sou homem de espírito prático e com esse espírito me disponho a compreender e resolver todos os problemas, ainda que muito complicados eles se apresentem", comprometera-se Hosken ao assumir o cargo.
"A minha administração joga o seu nome e a sua eficiência nessa difícil empreitada a telefonia , daí o meu interesse no mais amplo debate", respondeu quando instado sobre o gerenciamento público posto em dúvida comparado ao de empresas privadas.
Só 2.559 linhas e uma central obsoleta da Companhia Telefônica Nacional (CTN), subsidiária da International Telephone and Telegraph Corporation (ITT), era o quadro em Londrina nos primeiros anos 1960. Já com a concessão vencida, a CTN alegava, para não investir, grande risco de capital por causa da afirmação de João Goulart ia assumir a Presidência da República de que o governo encamparia as concessionárias de serviços públicos.
Modernização? Só se fosse com dinheiro da comunidade; frustrara-se, porém, a tentativa da CTN de colocar debêntures. Pretendia 75 milhões de cruzeiros provenientes de 75 mil debêntures de 1 mil cruzeiros (primeira série), pagando aos portadores juros anuais de 10% durante 15 anos, a partir de 1º de dezembro de 1954; ao término do prazo, resgataria os papéis mediante cotação nas bolsas do Rio, Curitiba e Porto Alegre.
Não se sabe quantos compraram debêntures, mas a persistente precariedade telefônica na década seguinte indicava a frustração. As telefonistas ameaçam entrar em greve em 1962 se não receberem 49% de reajuste salarial; a CTN pleiteia aumento de 103% na tarifa. A Câmara Municipal não autoriza. Falando na Associação Comercial, o gerente da CTN, Paulo Makiolke, declara que não há dinheiro e automatizar exige "um trilhão de cruzeiros sob risco", pois o presidente João Goulart dera a conhecer a pretensão de o governo encampar todas as empresas explorando serviços públicos.
Centro da maior região produtora de café do País, Londrina tem apenas duas linhas para conexões interurbanas. Uma ligação demora entre dez horas e às vezes até um dia para se completar; as corretoras e exportadoras, a postos na cidade, não fechariam negócios em Santos e Rio de Janeiro se não tivessem arranjado alternativa: os transmissores de rádio particulares.
Na abertura da Exposição Agropecuária de 1965, o presidente da República, general Castelo Branco, ouve o presidente da Associação Rural, Omar Mazzei Guimarães, transmitir o apelo do Centro de Comércio de Café do Norte do Paraná para que o Conselho Nacional de Telecomunicações (Contel) permita a regularização dos transmissores tidos por clandestinos, concedendo prazo de dois anos. E aponta para "a imensidão das distâncias e a deficiência infelizmente incontestada das comunicações postais, telegráficas e telefônicas" no País.


