Valmir Denardin
De Foz do Iguaçu
O economista Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central, criticou ontem, em Foz do Iguaçu, o sistema de metas de inflação e a liberação do câmbio adotado pelo governo federal. Ele esteve na cidade dando uma palestra em evento promovido pelo Sistema de Crédito Cooperativo (Sicredi), no Hotel Mabu. O tema foi a ‘‘Conjuntura Brasileira e o Sistema Financeiro às Vésperas do Ano 2000’’. ‘‘Não se pode admitir um pouquinho de inflação. Um ex-alcoólatra não pode se dar ao luxo de tomar pequenos drinques e achar que isso não vai dar problema’’, comparou. ‘‘Meta de inflação boa é inflação zero.’’
Ele afirmou que essas duas medidas podem trazer a volta da inflação. A previsão é de que o IPC-A (índice de preços ao consumidor, utilizado para o sistema de metas inflacionárias) de novembro fique em torno de 2,3%, estourando a meta de inflação para este ano (de 8%, com variação de dois pontos para mais ou para menos). O IPC-A entre janeiro e setembro já está acumulado em 6,01%. Para 2000, a meta de inflação é de 6%. No ano seguinte, é de 4%.
Segundo Franco, a adoção do câmbio livre, em janeiro, foi a principal causa do aumento da inflação. ‘‘Houve o abandono da defesa do poder de compra da moeda nacional. Essa postura foi abandonada em nome da idéia de que o Banco Central deveria ter um papel de apoiar o desenvolvimento econômico’’, declarou.
‘‘Não podemos pensar o Brasil como um país que vai ter uma taxa de crescimento elevada, mas com um financiamento inflacionário. Antigamente, a inflação servia de propósito para financiar o desenvolvimento e nos tornou campeões da desigualdade’’.’’
No primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso, o governo adotou o sistema de bandas cambiais (intervalos em que preço do dólar poderia variar). Em janeiro deste ano, no início do segundo mandato do presidente, o governo liberou o câmbio. Nesse processo, o Banco Central só intervém, com a venda de títulos cambiais, quando há pressão de alta. Essa medida levou à saída de Franco da presidência do Banco Central.
Na opinião do ex-presidente do BC, o não-cumprimento das metas fiscais acordadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI), as pressões por aumento salarial de diversas categorias e a paralisação da votação das reformas no Congresso e do processo de privatização de estatais também deverão trazer inflação.

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