Maria-mole, pé de moleque, paçoquinha, creme de amendoim, suspirão cor-de-rosa, canudo com bexiga, doce de banana no copinho... Quem não se lembra de pelo menos uma vez ter experimentado uma dessas guloseimas quando criança? Apesar do crescimento da indústria dos chocolates, chicletes e balas, tais produtos ainda têm espaço no mercado.

''Os doces resistem porque são tradição e a tecnologia os faz cada vez mais gostosos e cremosos. O adulto revive as lembranças de infância e quem é criança atualmente também acaba descobrindo esse prazer'', diz Maria de Fátima Fernandes Cassitas, diretora de Recursos Humanos da Prodasa, em Arapongas. A empresa surgiu há 40 anos com foco nos doces e hoje tem como carro-chefe os biscoitos, além de fabricar balas e macarrão. Apesar de representar apenas 8% de tudo o que a unidade fabrica, as guloseimas ainda devem resistir por muito tempo. ''O fortalecimento da nossa produção de biscoito faz com que possamos manter os doces. Não temos interesse em acabar com eles'', justifica.

As guloseimas são as mesmas de antigamente, porém com qualidade superior. O processo manual quase não existe mais. Grande parte da produção é automatizada e os cuidados com a segurança alimentar são rigorosos. Se antes a bexiga saltava aos olhos no canudo de maria-mole, hoje o brinquedo vem acondicionado em saco plástico separado do doce.

A apresentação também evoluiu. O creme de amendoim (aquele doce que mistura salgado e esfarela na boca), por exemplo, sai da fábrica em embalagem de oito ou de 50 unidades. Outras opções como a maria-mole também seguem a tendência com objetivo de facilitar a venda nos supermercados para quem quer levar menor ou maior quantidade. Com a mesma proposta, surgiu o doce mix, que traz num único pacote pé-de-moleque, paçoca e foundant de leite.

Já o suspirão cor-de-rosa continua firme no mercado, porém, com nova roupagem. A empresa criou a versão bicolor (rosa claro e rosa escuro), que caiu no gosto popular. Enquanto se produz hoje duas mil caixas por dia do bicolor, a versão antiga (de uma cor só) fica com 200 ou 300 caixas por semana. Outra novidade é que a massa do suspiro agora é aerada. ''Com as novas tecnologias empregadas, os doces foram ficando cada vez mais gostosos. No geral, são mais cremosos que antigamente'', repara Maria de Fátima.

Com logística própria, a Prodasa vende os doces no atacado no estados do Sul e do Sudeste. Na unidade em Arapongas, mantém um espaço destinado a atender compradores da região, oferecendo também produtos de outros fabricantes. Muitos são os chamados ''kombeiros'', que enchem o veículo de doce para vender em bares, pequenos mercados e padarias.

Francisco de Oliveira, conhecido como Chico Doceiro, é um deles. Morador de Sertanópolis, ele trabalha há mais 30 anos no setor. ''É claro que as vendas caíram muito com as novidades dos chocolates e chicletes. Mas o doce tradicional nunca vai morrer'', constata. ''A não ser que parem de fazer criança no mundo'', brinca ele, que vende duas kombis cheias por semana. (G.M.)

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